quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Desligados

Actual. Realista. Comovente. Realizado por Henry Alex Rubin, Desligados (2012)  é um daqueles filmes que retrata diferentes histórias que acabam por se interligar, ao género Babel (2006) ou Crash (2004). Como foco da trama, e desenvolvimento das subtramas, está um tema bastante em voga: a Internet, as redes sociais e as novas formas de comunicação e de relacionamento online.


Numa primeira subtrama, assistimos à ambição de uma jornalista, Nina, que procura o sucesso através do lançamento de uma notícia exclusiva. Vagueando por chats de sexo online, Nina conhece Kyle, um jovem rapaz que fugiu de casa e vive com um bando de outros miúdos, todos "prostitutos" na web, numa espécie de rede gerida por um boss.
 De seguida, conhecemos o casal Derek e Cindy que, perante a morte do filho, mantém um casamento de fachada. Derek foge da esposa e joga a dinheiro pela Internet. Cindy refugia-se em chats de ajuda. A sua vida monótona tem uma reviravolta quando lhes roubam a identidade online e ficam sem dinheiro.
Por fim, o último tópico tratado neste filme refere-se ao cyberbullying. Dois amigos, Jason e Frey, decidem fazer-se passar por outra pessoa para, no fim, gozarem com um colega mais reservado, Ben. Aqui entram, ainda, as perspectivas de relacionamento destes jovens com os pais, ambos alienados dos seus sentimentos e vidas e a forma como estes reagem ao saber do sucedido.

Desligados pode não ser exactamente uma novidade, porque não é. Estas histórias são-nos conhecidas. Ouvimos falar sobre elas diariamente nos telejornais ou mesmo pela Internet, por isso, perguntamos: o que faz dele um bom filme? E a resposta é exactamente essa: a realidade e actualidade dos assuntos tratados. Redes de sexo online. jovens a prostituir-se, roubos de identidade, conversas com desconhecidos, bullying... Uma imensidão de crimes, de perigos, de possibilidades e isto é apenas um filme.

Mas não é só por isto que devemos dedicar-lhe quase duas horas do nosso dia. É, também, pela prestação destes actores, pelo seu empenho, pela forma como nos conseguem emocionar. Não existe um papel que se possa afirmar que seja mais fraco ou desinteressante. Isso, aliado a uma competente organização de segmentos que nos deixa constantemente expectantes, é só mais um aspecto positivo. O climax, então, resulta numa cena inesperada, visualmente apetecível e emocionalmente dramática, tal como o seu próprio desfecho.

O resultado é um simples wake-up call. Um alerta competente, que não procurou enveredar por caminhos complicados e se manteve constante, ainda que por vezes demasiado previsível nas conclusões. Essa previsibilidade, inerente ao conhecimento geral destas situações, conseguiu ser compensada com as interpretações e com a organização dos segmentos.

Desligados lembra-nos que estar ligado na web pode significar estar desconectado no mundo real. Quando no fundo, nunca sabemos o que se encontra do outro lado, com quem falamos, quem nos vê. A premissa é esta. Perdemos demasiado tempo online, quando estamos constantemente rodeados de pessoas, que amamos e gostamos, aqui (quer dizer, neste mundo onde vos escrevo).

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