terça-feira, 8 de outubro de 2013

The Newsroom

Will McAvoy (Jeff Daniels) é um jornalista adormecido. Perdeu a garra e vive obcecado com as audiências. E, estranhamente, nada tem a ver com lucros - embora a ideia agrade à estação. A chegada de MacKenzie McHale (Emily Mortimer), com uma nova equipa, leva Will a acordar. É forçado a abrir os olhos. Forçado a fazer o melhor jornalismo que esta equipa consiga fazer. E ele agradece. 


The Newsroom parece utópico: uma equipa entra numa estação dominada pela ideia de lucro proveniente de um jornalismo sensacionalista e transforma-a num exemplo. Em dado momento, Will McAvoy, chegado do mundo dos mortos, afirma que vai civilizar a sociedade. Condena essa ideia de sensacionalismo, de lixo intelectual, e debate-se para trazer para o mundo dos vivos algumas das pessoas com que se cruza. 

É utópico. Parte de uma ideia quase impossível de concretizar. Mas todas as boas ideias partiram de algum tipo de ideal, de um idealismo que se procurou concretizar ou defender. Em The Newsroom o pretendido é isso mesmo. MacKenzie enternece-nos com gritos inspirados: "E se fosse possível?", e com histórias como a de Don Quixote. 

O que torna esta série excepcional é a forma como consegue relacionar toda esta utopia com a realidade. Primeiro, as peças jornalísticas e os assuntos tratados partem de eventos ocorridos à data. Marcos reais que nos dão uma noção de como a cobertura poderia ter sido feita pelos media. Depois, apesar de toda esta noção idealista, nem tudo corre bem. O jornalismo mantém-se um lugar decadente, por vezes, outras vezes é apenas dominado pelos lucros. 

Para além de um enredo delicioso, The Newsroom ganha imenso com as interpretações de Jeff Daniels e Emily Mortimer nos papéis principais. Este Will McAvoy parece-nos um real homem da televisão. Com as suas manias e o distanciamento perante os súbditos. Um homem aparentemente frio, mas com um coração enorme. Já MacKenzie McHale é o rastilho da bomba (ou a própria bomba). Cheia de força, energia e ideias. Não deixa ninguém indiferente com os seus gritos frenéticos. Outra excelente interpretação cabe a Sam Waterston, o Charlie Skinner, com os seus fatos de estilo antigo, o seu ar sábio, a sua garrafa de bourbon. Sempre pronto para fazer-nos rir.

The Newsroom dá-nos esperança. Faz-nos acreditar que o jornalismo não tem de morrer, de se perder pelo interesso do público e dos anunciantes. Faz-nos acreditar que se os jornalistas quiserem, nem tudo está perdido. E, sim, é utópico, é uma ideia, é uma fantasia, mas são elas que nos fazem continuar. Portanto, se The Newsroom ganha ao transmitir-nos esses sonhos? Ganha. E se adoramos as disputas entre o Will e a Mac, apesar de sabermos que é tudo puramente comum? Adoramos. E se queremos vê-los juntos no final? Queremos.


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