sábado, 21 de setembro de 2013

The Place Beyond the Pines


Derek Cianfrance que já nos tinha maravilhado com Blue Valentine (2010), um romance tragicamente real, decidiu manter a mesma linha de análise realizando mais um filme trágico. The Place Beyond the Pines (2012) encontra-se dividido em três partes, cada uma com o seu protagonista. O enredo é uma teia que interliga e explica as acções das personagens intervenientes após o despoletar da acção.

Luke (Ryan Gosling) é um homem despreocupado que ganha a vida a fazer acrobacias com a mota. Anda de cidade em cidade e acompanha o circo. Quando regressa a Schenectady procura Romina (Eva Mendes), uma ex-paixão de uma passagem anterior. É aí que descobre que Romina teve um filho seu. Perante a responsabilidade de criar um filho e contribuir para a sua educação, Luke decide ficar pela cidade. Mas as coisas não lhe correm bem. A ambição desmedida acaba por ser o seu fracasso. 


É aqui que entra Avery (Bradley Cooper). O polícia, que fica ligado à família de Luke para sempre, acaba por também ser confrontado com a ambição. Até onde estamos dispostos ir? Que somos capazes de fazer? E, de que vale a moralidade quando não existem valores?  Terão as diferenças sociais e educacionais algum impacto nas decisões de Avery? Sim, têm. 

Anos mais tarde, a acção foca-se nos filhos de Luke e Avery. Supostamente, no filho do "mau" e no filho do "herói". Serão, também eles, retratos destas diferenças? Ou terá a educação (ou falta dela) feito destes jovens faces da mesma moeda? Este terceiro, e final, acto centra-se nas decisões de Jason e de AJ face ao passado dos seus pais e ao que lhes proporcionam no presente. Ou seja, face ao seu destino, à sua sorte. 

The Place Beyond the Pines, apesar das suas singularidades, tem uma fotografia similar a Blue Valentine. Os cenários (bem ao estilo americano classe média-baixa), as movimentações da câmara (ora rápidas, ora lentas), os contrastes da luz, são características notórias do realizador e, se em Blue Valentine foram mais valias, também aqui o são. O filme é visualmente muito rico o que compensa o facto de às vezes sabermos - ou supormos bem -, o que vai acontecer na próxima cena.

Já Ryan Gosling e Bradley Cooper demonstram porque são dos actores mais aclamados do momento. Gosling ganha com uma caracterização cool, as tatuagens e o papel de bad boy. O qual consegue representar sem exageros e com uma atitude natural. (Está melhor em The Place Beyond the Pines do que em Only Good Forgives - neste faltou a Gosling qualquer coisa, mais profundidade). A fazer o papel de polícia honesto está Bradley Cooper que conseguiu afastar o ar de "bonzão" e demonstrar uma atitude mais "mundana". Parece um polícia americano, tal qual os que vimos na televisão. Nem mesmo um fato estiloso lhe tinha o ar de duro. O pedido de desculpa emocionado será, com certeza, um dos pontos altos da sua carreira nos próximos tempos. 

The Place Beyond the Pines não é um filme espectacular, mas esteve quase lá. Quis mostrar mais do que efectivamente conseguiu (porque não se pode mostrar tudo). Incidir sobre diferenças sociais, ambição, honra, família, heranças, destinos, sorte/azar, amizade, em duas famílias, em três tempos distintos não é fácil. É demasiada informação e alguma ficou forçosamente comprimida. Fora isso, é uma crítica deliciosa, com uma narrativa visual ainda mais deliciosa. 

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