terça-feira, 17 de setembro de 2013

Behind the Candelabra

Brilhante - de reluzente -, lunático e fantasioso. Este é o mundo que Behind the Candelabra (2013) retrata, focando-se, sobretudo, nos cinco/seis anos de relação entre Liberace (Michael Douglas) e Scott Thorson (Matt Damon). Realizado por Steven Soderbergh, o drama biográfico foi inspirado no livro de memórias de Thorson, "Behind the Candelabra: My Life With Liberace", o que explica o (curto) período temporal  da película. 

Quando na sinopse divulgada pela comunicação social se ouve, e lê: "Antes de Elvis, Elton John, Madonna e Lady Gaga existiu Liberace", eles não enganam, nem exageram. Neste Behind the Candelabra, Liberace aparece-nos assim. Luxuoso, extravagante, cintilante, meio louco e, ainda que não assumido, visível e claramente gay. O seu amor, ou a sua forma de amar, era também assim, exagerada, exorbitante, desmedida (mas temporal, como se verá). 

Em 1977, quando Liberace conhece Scott, não perde tempo a fazer dele o seu novo protegido, correndo com o anterior. Enche-o de amor e, tal qual um ser de origem divina, coloca-o a viver à sua semelhança. Roupas, jóias, plásticas, mansões, carros, tudo era decidido por ele. Durante anos Scott foi a sombra de Liberace. Um espelho que fazia o artista sentir-se mais novo; um alter-ego em carne e osso. 

Mas todo o divertimento retirado de um brinquedo novo tem o seu fim. Especialmente quando este se parte. Scott cede perante as drogas ficando viciado. Torna-se paranóico e ciumento. As discussões entre o casal agravam-se. Liberace aborrece-se com esta nova versão de Scott. Conhece um outro rapaz e toma-o como protegido, substituindo Scott por algo mais novo e mais fácil de deslumbrar (e entreter). Com um novo projecto em mãos a separação de ambos vêm a público e torna-se complicada. O mundo surreal de Scott tem o seu fim. 

Michael Douglas interpreta este Liberace de forma fantástica. Incorpora uma diva, quase uma drag queen com laivos de Lady Di, de princesa. Uma personagem extremamente excêntrica e homossexual, ainda que procure manter uma certa classe e requinte. Matt Damon acompanha Douglas com igual sucesso. Ainda que Scott Thorson seja uma personagem mais realista, afinal, não era nenhum artista. Juntos conseguem transpor o amor, as emoções, desta relação tão profunda e igualmente complicada como se efectivamente estivessem enamorados.

Curioso é que, se durante toda a vida Liberace procurou esconder a sexualidade - e conseguiu -, é  ao morrer que a verdade vem ao de cima, sem hipótese. Behind the Candelabra questiona-nos sobre a vida destes grandes artistas, das divas. Vivem de forma tão desafogada, surreal e excêntrica e acabam por morrer sozinhos, tristes e com arrependimentos. De que vale então o sucesso? O dinheiro? O luxo? De que servem então quando vividos em demasia? De que vale trocar-se de brinquedo, deita-lo fora, quando, apesar de partido, ele nos fez tão bem? 

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