sábado, 14 de setembro de 2013

Before Midnight | Finalmente!

Lembram-se daquele Elogio ao Amor feito por Miguel Esteves Cardoso em que este afirma que o amor é uma coisa, a vida é outra, e que a vida mata o amor? Before Midnight foca-se mais ou menos nisso. Quer dizer: sim, é isso.

Depois das suas anteriores aventuras, Jesse e Celine vivem agora juntos, estão na casa dos quarenta. Têm duas filhas, a somar ao filho anterior de Jesse, e estão de férias na Grécia. Depois  do primeiro encontro de sonho em Before Sunrise, e do reencontro mais amadurecido em Before Sunset, a vida de ambos tende a tornar-se cada vez mais real. 

Neste Before Midnight o enredo, ainda que se foque no casal, conta com mais interpretações. As conversas passam a dar-se em grupo. As miúdas estão, quase sempre, presentes. Compreende-se que Jesse e Celine não são mais dois miúdos apaixonados, mas sim dois adultos a tentar sobreviver à maternidade enquanto lutam pela carreira de sonho e seguram as pontas do casamento. 

Todo o filme é divertido, com diálogos fluidos e "leves" até ao momento em que Celine e Jesse têm, finalmente, um momento a sós. O rastilho pega fogo. As divergências adormecidas pela rotina diária despertam. Celine demonstra o seu fulgor pela vida, a sua independência, o seu feminismo e Jesse, bem, Jesse é o rapaz. Procura fugir aos assuntos com piadas e acha Celine louca. Arrependimentos, mágoas, questões que se tentaram perdoar e esquecer surgem de parte a parte. E, sim, dá-se a explosão. 

Pegando no conceito inicial - encontros relâmpago pela Europa, conversas inteligentes sobre as relações, as expectativas e a vida em geral -, Before Midnight faz jus aos filmes anteriores e termina a trilogia de forma coerente. Nota-se uma evolução, não só no enredo, como nas próprias personagens. Quase vinte anos após o primeiro encontro, Celine e Jesse têm as personalidades vincadas - aquelas que nos lembramos -, mas não são quem eram naquela época. E, isso, é um dos melhores aspectos deste filme. É real. Não procura enganar ninguém. As relações, por mais apaixonadas que comecem, requerem sempre trabalho e dedicação. As pessoas evoluem. A vida interfere e o amor, esse, altera-se. 


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