sexta-feira, 26 de julho de 2013

Só Deus Perdoa

Nicolas Winding Refn apresenta-nos um submundo onde a imoralidade domina e corrompe os seres. Esta é a história de uma mãe que procura a vingança pela morte do filho mais velho a todo o custo. É a história de um filho que procura o amor da sua mãe e, para isso, vagueia entre o bem e o mal, entre a moral e a imoralidade. Mas, este filho não perdoa, porque ninguém perdoa para além de Deus. 

Só Deus Perdoa é visualmente riquíssimo. Os amantes de diálogos ficarão desiludidos visto que, para mim, esse é o grande ponto fraco do filme. São poucos e não acrescentam muito à trama - salvo uma última conversa entre mãe e filho. Mas isso não importa pois, aqui, quem narra são as imagens, os cenários e a fotografia. O contraste entre o vermelho e o azul, entre os dois lados do Homem, porventura, tal como o dualismo em todo o filme. 

Frio, cru, por vezes, demasiado violento, faz-nos arrepiar cena sim, cena não com um sistema de rodagem lento. Tão lento que pode aborrecer quem espera um filme de acção kick ass sempre a abrir. Esta não é uma violência oca. É uma violência que procura levar à reflexão e essa reflexão tem de ser feita com calma, com a calma que divide o ecrã com a violência. 

Ou se gosta ou se odeia Só Deus Perdoa. Tem personalidade, mas assume demasiado o estilo de quem o realiza. Como li pelo C7nema é preciso "saboreá-lo". Ter a decência de observar as entrelinhas e de o pensar. Senão iremos odiá-lo, porque é parado e mal tem diálogos, mas tem um propósito e uma mensagem e, essa, é que "Só Deus Perdoa". 

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