quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nicole Kidman, em The Paperboy

Ou devo dizer: Nicole Kidman a dar show? Nicole Kidman e o Óscar que poderia ter recebido? Pois.
The Paperboy - Um Rapaz do Sul é um filme mediano: o enredo peca pelo excesso de sexo implícito, muitas vezes, sem nexo; pela utilização de uma narradora que, a meu ver, apenas vem estragar o enredo e não permite um aprofundamento da trama e por desempenhos fracos. Podem espreitar a crítica do Portal Cinema, aqui, de onde partilho grande parte das opiniões.

Mas vamos recuar um pouco... Conheci a Nicole em Far and Away (1992), ao lado do Tom Kruise. Era uma criança, a Nicole era deslumbrante e o Tom, bem, na altura também o achava deslumbrante, por isso adorava o filme e adorava vê-los a contracenar juntos.  Depois, lembro-me de ter visto mais uns quantos filmes dela, até ver Cold Mountain (2003), mais um romance que faz perder a cabeça de uma inocente criança - há que notar que nasci em 92. Nessa altura pouco me importava o desempenho, os enredos, os planos e todas essas coisas que importam agora. O que eu sabia é que, já nessa altura, a Nicole tinha algo de especial. Os caracóis loiros, a tez clara como pó de arroz, uma voz doce... Todo um je ne sais quoi que por pouco lhe valeram um poster na parede do meu quarto.

Em Cold Mountain.
Cresci e conheci o Kubrick com Eyes Wide Shut (1999) [em baixo, à direita] e um prolongamento da Nicole que já admirava. Uma Nicole feminina, atrevida, que se entrega aos papéis com a alma; uma Nicole ainda mais misteriosa e interessante. Seguiu-se o The Hours (2002) [em baixo, à esquerda], onde ela está irreconhecível e toda a emoção transparece por algo que faz com os olhos e com a voz suave.


Eyes Wide Shut.

E, agora, neste Paperboy (2012) questionei-me sobre a Nicole que conhecia. Pensei: "Caramba! Onde está a Nicole integra, senhora, inocente ainda que sexual? E quem é esta bimba ordinária completamente trashy?"; "Quem é esta mulher que rasga as collants e finge um orgasmo em frente a quatro homens?"; "Quem é esta Nicole que fala com sotaque do sul e se comporta como tal?". Foi um choque agradável. E foi um choque ainda mais agradável ver que a Nicole Kidman é capaz de carregar um filme inteiro às costas com um desempenho digno de uma grande, grande actriz ao interpretar Charlotte Bless. Em The Paperboy, Nicole transpõe tudo o que fez anteriormente. E, penso seriamente que este papel deveria ter funcionado como um ponto de viragem na sua carreira. Se irá funcionar ou não, não sei, pois o seu desempenho espectacular perdeu-se num filme sem grande impacto cinematográfico. Se ela merecia um enorme reconhecimento por este papel? Sim, merecia.

The Paperboy.

Ps: Sim, ando um bocado atrasada e tenho muitos filmes para pôr em dia, mas, hey!, vou sempre a tempo. 

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