segunda-feira, 29 de julho de 2013

The Carrie Diaries

Não tinha pensado ver mas, sem Sex and the City e sem Girls, senti falta de uma série mais inclinada para o público feminino. The Carrie Diaries, pelo menos, prometia-me ouvir o ressoante nome "Carrie Bradshaw". E isso, sabe sempre bem. 

The Carrie Diaries funciona como uma prequela para o Sex and The City e faz-nos viajar até aos anos 80 com a Carrie e as suas aventuras antes da cidade (e do sexo). Mas não é, nem de perto, nem de longe, tão excitante quanto a primeira série. Logo no primeiro episódio denotam-se algumas imprecisões históricas, nomeadamente sobre os pais da Carrie. Para quem se recorda, no episódio em que a Carrie começa a escrever para a Vogue, ela afirma que o pai a deixou, a ela e à mãe, quando era pequena, tendo crescido sem uma presença masculina. Ora, nestes anos 80 parece que a mãe da Carrie faleceu e esta vive com o pai e uma irmã mais nova. 

Resulta, mas dá-nos a conhecer uma Carrie bastante diferente da que estamos habituados. Por vezes, é estranho imaginar que esta é a Carrie, antes do sexo e da cidade. É claro que já aqui ela procura o seu "eu", se apaixona por Manhattan e tem um jeito especial com as roupas. É sincera, meio ingénua e uma ternura, mas parece tudo em demasia. Parece demasiado "certinha".

As referências temporais também têm muito que se lhe diga. Estes anos 80 estão estranhos. Em certos momento nem nos lembramos que a série se passa nessa década e noutros, pelo contrário, somos impactados com um exagero de indumentárias exuberantes, brilhos, néons e tudo mais. Roça o cliché, em vez da originalidade. Os quarenta minutos por episódio também parecem extensos e acabam por ter muitas pausas. Vinte, trinta minutos por episódio seria o ideal. 

Apesar de tudo isto, a série cumpre. Entretém. Consegue deixar-nos curiosos. Assenta nos problemas normais dos adolescentes, mas introduz algo próprio com as personalidades de cada personagem. A AnnaSophia Robb é adorável. Suspiramos com o Austin Butler de tão cool que é. Mas a minha personagem preferida é a Mouse, interpretada pela Ellen Wong, a típica nerd divertida. 


sábado, 27 de julho de 2013

Para hoje, é isto #12

É Verão, está frio, chove e a vontade de ficar o dia inteiro enrolada numa manta a ver televisão aperta. 
Ler um livro na cama; beber uma grande chávena de chá ou café e comer doces. 
Que raio de Verão me dá vontade de usar calças? E uma camisola mais composta? Este. 




sexta-feira, 26 de julho de 2013

Só Deus Perdoa

Nicolas Winding Refn apresenta-nos um submundo onde a imoralidade domina e corrompe os seres. Esta é a história de uma mãe que procura a vingança pela morte do filho mais velho a todo o custo. É a história de um filho que procura o amor da sua mãe e, para isso, vagueia entre o bem e o mal, entre a moral e a imoralidade. Mas, este filho não perdoa, porque ninguém perdoa para além de Deus. 

Só Deus Perdoa é visualmente riquíssimo. Os amantes de diálogos ficarão desiludidos visto que, para mim, esse é o grande ponto fraco do filme. São poucos e não acrescentam muito à trama - salvo uma última conversa entre mãe e filho. Mas isso não importa pois, aqui, quem narra são as imagens, os cenários e a fotografia. O contraste entre o vermelho e o azul, entre os dois lados do Homem, porventura, tal como o dualismo em todo o filme. 

Frio, cru, por vezes, demasiado violento, faz-nos arrepiar cena sim, cena não com um sistema de rodagem lento. Tão lento que pode aborrecer quem espera um filme de acção kick ass sempre a abrir. Esta não é uma violência oca. É uma violência que procura levar à reflexão e essa reflexão tem de ser feita com calma, com a calma que divide o ecrã com a violência. 

Ou se gosta ou se odeia Só Deus Perdoa. Tem personalidade, mas assume demasiado o estilo de quem o realiza. Como li pelo C7nema é preciso "saboreá-lo". Ter a decência de observar as entrelinhas e de o pensar. Senão iremos odiá-lo, porque é parado e mal tem diálogos, mas tem um propósito e uma mensagem e, essa, é que "Só Deus Perdoa". 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Vou dar um grande aparo na juba!

Ah!, parecia... Estou a brincar. Toda a gente sabe que és incapaz. Mas, serei mesmo? És. Da última vez choraste durante uma semana. Mas fica tão giro! E deve dar tão menos trabalho. Eu sei. Eu sei. Mas vais-te arrepender. Como vou? Parece tão leve, tão cool. Cala-te! Vais chorar para caraças. Deixa-te de ideias. Eu sei. 









quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nicole Kidman, em The Paperboy

Ou devo dizer: Nicole Kidman a dar show? Nicole Kidman e o Óscar que poderia ter recebido? Pois.
The Paperboy - Um Rapaz do Sul é um filme mediano: o enredo peca pelo excesso de sexo implícito, muitas vezes, sem nexo; pela utilização de uma narradora que, a meu ver, apenas vem estragar o enredo e não permite um aprofundamento da trama e por desempenhos fracos. Podem espreitar a crítica do Portal Cinema, aqui, de onde partilho grande parte das opiniões.

Mas vamos recuar um pouco... Conheci a Nicole em Far and Away (1992), ao lado do Tom Kruise. Era uma criança, a Nicole era deslumbrante e o Tom, bem, na altura também o achava deslumbrante, por isso adorava o filme e adorava vê-los a contracenar juntos.  Depois, lembro-me de ter visto mais uns quantos filmes dela, até ver Cold Mountain (2003), mais um romance que faz perder a cabeça de uma inocente criança - há que notar que nasci em 92. Nessa altura pouco me importava o desempenho, os enredos, os planos e todas essas coisas que importam agora. O que eu sabia é que, já nessa altura, a Nicole tinha algo de especial. Os caracóis loiros, a tez clara como pó de arroz, uma voz doce... Todo um je ne sais quoi que por pouco lhe valeram um poster na parede do meu quarto.

Em Cold Mountain.
Cresci e conheci o Kubrick com Eyes Wide Shut (1999) [em baixo, à direita] e um prolongamento da Nicole que já admirava. Uma Nicole feminina, atrevida, que se entrega aos papéis com a alma; uma Nicole ainda mais misteriosa e interessante. Seguiu-se o The Hours (2002) [em baixo, à esquerda], onde ela está irreconhecível e toda a emoção transparece por algo que faz com os olhos e com a voz suave.


Eyes Wide Shut.

E, agora, neste Paperboy (2012) questionei-me sobre a Nicole que conhecia. Pensei: "Caramba! Onde está a Nicole integra, senhora, inocente ainda que sexual? E quem é esta bimba ordinária completamente trashy?"; "Quem é esta mulher que rasga as collants e finge um orgasmo em frente a quatro homens?"; "Quem é esta Nicole que fala com sotaque do sul e se comporta como tal?". Foi um choque agradável. E foi um choque ainda mais agradável ver que a Nicole Kidman é capaz de carregar um filme inteiro às costas com um desempenho digno de uma grande, grande actriz ao interpretar Charlotte Bless. Em The Paperboy, Nicole transpõe tudo o que fez anteriormente. E, penso seriamente que este papel deveria ter funcionado como um ponto de viragem na sua carreira. Se irá funcionar ou não, não sei, pois o seu desempenho espectacular perdeu-se num filme sem grande impacto cinematográfico. Se ela merecia um enorme reconhecimento por este papel? Sim, merecia.

The Paperboy.

Ps: Sim, ando um bocado atrasada e tenho muitos filmes para pôr em dia, mas, hey!, vou sempre a tempo. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Elena Perminova

Há algo nas Helenas. Veja-se a Helena Bonham Carter ou esta modelo russa estonteante. A Elena Perminova faz-me querer ser melhor. Faz-me querer levantar mais cedo só para ter uma hora extra para cuidar de mim e escolher um outfit perfeito. 
Quando penso nestas duas (H)Elenas penso em irreverência, estilo, personalidade, combinações estranhas e imensa pinta. Há algo de extraordinário nelas. Mas, este post é decidado à segunda, à Elena, sem H. 
À Elena loira, de cabelo certinho, rosto lavado e lábios cor-de-rosa. À Elena modelo, de corpo esguio e pernas longas. À Elena que usa tons fortes, mistura padrões e calça saltos vertiginosos. À Elena que enverga grandes nomes da moda internacional como quem pode; porque é fixe, porque parece um cabide com atitude. À Elena que faz isto tudo parecer super fácil. 










Imaginem a Carrie a saltitar por Nova Iorque com os seus Manolos

Agora imaginem-me a mim a saltitar por Lisboa, com os meus sapatos comprados nos saldos, com uns meros 5 centímetros de salto, toda contente. A calçada não me impede de usar saltos médios e estes, apesar de serem novos, são bastante confortáveis. Agora imaginem-me a chegar a casa, a tirar os meus lindos sapatinhos novos e a olhar para as capas dos saltos que após uma, deixem-me repetir, UMA, ida à rua já estão um caos. Agora a sério, imaginam a Carrie a passar pelo mesmo em NY? Não, ninguém imagina. 

Somewhere

Somewhere, de Sofia Coppola, parece tão perdido como o seu próprio nome; encontra-se algures entre um mau filme e aquele que poderia ter sido um bom filme. 
O enredo, que é simples, retrata-nos um actor de Hollywood que após conviver mais seriamente com a sua filha entende que, provavelmente, durante muito tempo encheu o seu vazio com absolutamente nada. 
Todo o filme poderia ter sido um enorme cliché, mas foi realizado pela Sofia que consegue fugir da norma. Como? Ao retratar-nos uma Hollywood melancólica. 
Rui Pedro Tendinha escreve na Vogue deste mês que, em Somewhere, "Sofia filmava o vazio de uma cidade" e usa expressões como "decadência" ou"circo triste de Hollywood" para descrever o filme. Considera o enredo "tão LA". E é. É Los Angeles dos "pés à cabeça". Mas é uma LA bastante diferente do que estamos habituados. Quer dizer, Hollywood é, geralmente, sinónimo de diversão, cor, brilho, luxo, álcool e muita droga. E, embora tudo isto esteja presente no filme de Sofia, ele não se compara a um show de Kardashians
Sofia mostra-nos a cidade de uma forma panorâmica, com uma rodagem distante e em movimento - estradas, existem muitas cenas de estradas -, mas mesmo assim, o ritmo é lento, pausado e profundo. Como se o movimento e a pausa, a distância e a profundidade funcionassem não de forma antagónica mas para nos unir à personagem. Numa dada cena (não quero fazer spoiler), Sofia inspira-se em 2001: Odisseia no Espaço, de Kubrick, e centra-se na respiração pausada e, ao mesmo tempo, ofegante do personagem principal para nos transpor os seus sentimentos. 
Mais uma vez, a realizadora apostou numa banda sonora clássica da Sofia. Penso que já podemos falar assim, dado que em todo o filme parece tocar uma playlist de Coppola, com Foo Fighters, Phoenix, Gwen Stefani ou The Strokes. 
Quanto às prestações, Stephen Dorff, como Johnny Marco, parece fazer dele próprio ou então é mesmo bom actor. Acho que é uma junção de ambos os factores. Tem um perfil que funciona: tem ar de estrela, mas ao mesmo tempo emana um je ne sais quoi de decadente, de deprimente. Em oposição, claro, à sua filha Cleo, interpretada por Elle Fanning que parece um foco de luz em todo o filme de tão adorável que é. 
Somewhere é, na minha opinião, o pior filme de Sofia Coppola. Um devaneio que se tornou real, mas mesmo assim consegue ser uma película agradável. Sofia, de uma forma ou de outra, consegue encher-nos o peito e deixar-nos satisfeitos, mesmo que não seja muito. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Uma sala perfeita e real

Num mundo perfeito, as salas poderiam ser todas brancas: sofá branco, tapete branco, mesa de café branca, almofadas brancas. No mundo real, o branco tem de ser usado com mais restrição. Caso contrário tornar-se-ia num maldito dálmata colorido... de manchas. O exemplo desta sala parece-me, realmente, uma perfeição. Abusa dos tons neutros, mas em cores diferentes para não se tornar monótono (uma sala toda branca é uma sala toda branca; uma sala apenas num tom pastel é uma pasmaceira). É confortável, tem carisma, espaço para livros e para as flores, e ainda para um globo. 
Se colocar-nos um pouco de nós naquilo que fazemos, neste caso, na decoração de uma sala, para além de ela se tornar o nosso reflexo, pode muito bem ficar super cool. Afinal, o importante é sermos sempre nós, e como alguém me disse uma vez, com muita paixão. 

Fonte, aqui.