segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lolita, Vladimir Nabokov

Retirada do meu instagram.
Publicado em 1955, Lolita é um marco da literatura e um livro único. Afirmo-o pois é completamente diferente daquilo que já li anteriormente, e daquilo que no futuro poderei ler - suponho. Nabovok escreveu-nos sobre um professor, Humbert Humbert, que tinha uma obsessão pedófila. A narrativa é contada na primeira pessoa, como se o próprio professor escrevesse um diário sobre as suas memórias e a sua aventura com uma pequena ninfeta, Dolores Haze - a sua Lolita. 
Para além de Nabokov se focar num assunto sério, chocante e peculiar, alerta-nos, ainda, para essa realidade. E o mais chocante não é, de facto, esse foco, mas a forma como o escritor lida e nos demonstra a história, que bem podia ser verdadeira. 
Lolita é todo ele dirigido ao leitor. O narrador, Humbert, fala com o leitor e alerta-o para certos factos. A forma crua, mas cuidada, para não ferir susceptibilidades, é brilhante e deixa-nos mais chocados, nojentos, do que se tudo fosse explicito. Isto pois, compreendemos que, se tudo tivesse realmente acontecido, o professor tinha completa noção do quão perverso, demoníaco e doente seria. 
É de génio a forma como Nabovok se conseguiu colocar na mente de um pedófilo e criou um enredo complexo (Estaria a falar de si? Do seu ego? Das suas múltiplas facetas?). Tão complexo que o leitor poderá não entender certas passagens devido a referências que remetem para outras obras literárias. 
Maurice Couturier fala de um estilo «poerótico». Uma narrativa que mistura um estilo de poesia, de escrita delicada, em que Humbert embeleza um romance fatídico, imoral, mas apaixonado, com um estilo erótico que se prende com os desejos e obsessões sexuais do professor. 
Lolita, por sua vez, é-nos retratada como uma criança com um desenvolvimento sexual pouco comum para a sua idade. Cheia de histórias das bandas desenhadas e do cinema, cheia de histórias de Hollywood. Humbert fala da jovem como se esta fosse ela própria um pecado, mas ao mesmo tempo uma criança adorável. Cheia de ícones sexuais nada adequados a uma criança, mas com atitudes de pura meninez. E se Humbert nos parece nojento, Lolita parece-nos também, muitas vezes, uma criança dissimulada. Provoca o professor, é caprichosa, mente... Contudo, não passa de uma criança. 
Olhando, actualmente, para o amadurecimento forçado que as jovens adolescentes procuram, com maquilhagem, soutiens almofadados, decotes, uma atitude demasiado adulta e a exploração sexual demasiado precoce, Lolita parece-nos um alerta. Já que quanto à pedofilia pouco podemos fazer, a não ser estar alerta, quanto às lolitas muito pode ser feito. 
Não vejo o mito de Lolita, criado por Nabovok, como algo a aspirar ou algo belo. Vejo-o como algo fatídico: mais como crianças indefesas, crianças imaturas que procuram a sexualidade e a sensualidade precoce devido aos estímulos exteriores (cinema, publicidade, revistas - todos procuram vender o sexo), e que devido a essa imaturidade e ao desejo dissimulado daqueles que as deviam proteger acabam por perder a sua infância. 
Em suma, Lolita é um livro que leva à reflexão - poderia continuar a descrever mais teorias e pensamentos até amanhã -, através da relação perversa entre um professor e uma ninfa, numa trama emocionante, poética e erótica, sem ser pornográfica. 

Sem comentários:

Enviar um comentário