terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Stories We Tell

Algumas histórias são tão marcantes que merecem ser contadas não somente em família, mas para uma verdadeira plateia. Todas as pessoas têm os seus segredos, consequentemente, todas as famílias os terão também. Stories We Tell desvenda o segredo de uma dessas pessoas, no seio da sua família, e as consequências que teve naqueles que tocou. Alguns segredos, ainda que bem escondidos, marcam várias vidas, atravessam gerações e culminam, como neste caso, numa história fantástica transportada para um documentário. 
Sarah Polley teve o infortúnio ou, muito pelo contrário, a sorte, de fazer parte de uma dessas famílias onde algo de surreal acontece. Mas, fazendo parte de uma família de criativos, actores, escritores, Sarah não conseguiu ver as coisas apenas segundo um prisma. Necessitou de ouvir todas as partes, todos os intervenientes, todas as versões e de construir a sua própria história. Porque é isso que Polley faz em Stories We Tell. Arma-se em detective e procura descobrir o que afinal se passou, como se passou, segundo cada interveniente.
O fantástico acerca deste documentário é, em primeiro lugar, a forma aberta como esta família aborda a sua história, ainda que seja dolorosa e levante várias vezes o véu sobre a mãe, já falecida, e cuja vida era afinal um verdadeiro segredo. É com uma enorme ligeireza que todos falam e comentam os anos de vida dessa mãe mistério e as consequências dos seus actos nas suas actuais vidas. 
Mas isto, só por si, não chegaria para despertar o interesse de quem vê, por isso, Polley coloca o pai a narrar a história, a sua história. Faz entrevistas em três níveis: os que viveram, efectivamente, aquele segredo; os que viram de perto e foram afectados por ele; e os que apenas o observaram de longe, num diz-que-disse. E liga tudo isto com velhas imagens filmadas em Super 8, que mostram vários momento de vivência da falecida mãe. A cereja no topo do bolo, como é hábito dizer-se. 
Sarah Polley poderia ter julgado a sua história, a história da sua família, uma verdadeira tragédia. Em vez de o fazer, julgou-a digna de ser contada e foi mais longe: considerou-a digna de ser reproduzida como o resultado de um processo artístico, como uma obra de arte, para o grande ecrã. Existem sempre, pelo menos, duas opções. Neste caso, pode-se afirmar que Sarah optou mais que bem. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Desligados

Actual. Realista. Comovente. Realizado por Henry Alex Rubin, Desligados (2012)  é um daqueles filmes que retrata diferentes histórias que acabam por se interligar, ao género Babel (2006) ou Crash (2004). Como foco da trama, e desenvolvimento das subtramas, está um tema bastante em voga: a Internet, as redes sociais e as novas formas de comunicação e de relacionamento online.


Numa primeira subtrama, assistimos à ambição de uma jornalista, Nina, que procura o sucesso através do lançamento de uma notícia exclusiva. Vagueando por chats de sexo online, Nina conhece Kyle, um jovem rapaz que fugiu de casa e vive com um bando de outros miúdos, todos "prostitutos" na web, numa espécie de rede gerida por um boss.
 De seguida, conhecemos o casal Derek e Cindy que, perante a morte do filho, mantém um casamento de fachada. Derek foge da esposa e joga a dinheiro pela Internet. Cindy refugia-se em chats de ajuda. A sua vida monótona tem uma reviravolta quando lhes roubam a identidade online e ficam sem dinheiro.
Por fim, o último tópico tratado neste filme refere-se ao cyberbullying. Dois amigos, Jason e Frey, decidem fazer-se passar por outra pessoa para, no fim, gozarem com um colega mais reservado, Ben. Aqui entram, ainda, as perspectivas de relacionamento destes jovens com os pais, ambos alienados dos seus sentimentos e vidas e a forma como estes reagem ao saber do sucedido.

Desligados pode não ser exactamente uma novidade, porque não é. Estas histórias são-nos conhecidas. Ouvimos falar sobre elas diariamente nos telejornais ou mesmo pela Internet, por isso, perguntamos: o que faz dele um bom filme? E a resposta é exactamente essa: a realidade e actualidade dos assuntos tratados. Redes de sexo online. jovens a prostituir-se, roubos de identidade, conversas com desconhecidos, bullying... Uma imensidão de crimes, de perigos, de possibilidades e isto é apenas um filme.

Mas não é só por isto que devemos dedicar-lhe quase duas horas do nosso dia. É, também, pela prestação destes actores, pelo seu empenho, pela forma como nos conseguem emocionar. Não existe um papel que se possa afirmar que seja mais fraco ou desinteressante. Isso, aliado a uma competente organização de segmentos que nos deixa constantemente expectantes, é só mais um aspecto positivo. O climax, então, resulta numa cena inesperada, visualmente apetecível e emocionalmente dramática, tal como o seu próprio desfecho.

O resultado é um simples wake-up call. Um alerta competente, que não procurou enveredar por caminhos complicados e se manteve constante, ainda que por vezes demasiado previsível nas conclusões. Essa previsibilidade, inerente ao conhecimento geral destas situações, conseguiu ser compensada com as interpretações e com a organização dos segmentos.

Desligados lembra-nos que estar ligado na web pode significar estar desconectado no mundo real. Quando no fundo, nunca sabemos o que se encontra do outro lado, com quem falamos, quem nos vê. A premissa é esta. Perdemos demasiado tempo online, quando estamos constantemente rodeados de pessoas, que amamos e gostamos, aqui (quer dizer, neste mundo onde vos escrevo).

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Gravidade

Sufocante. Doentio. Desconcertante. Gravidade tem a capacidade de nos deixar enjoados ao fim de dez minutos de filme. Tudo graças à tecnologia IMAX e à realização de Alfonso Cuarón. Este thriller espacial não tem uma história particularmente nova ou irreverente. Acompanha dois astronautas que, após um acidente inesperado, se vêem à deriva pelo espaço. Matt (George Clooney) e Ryan (Sandra Bullock) lutam, então, contra todas as adversidades numa demanda pela sobrevivência. Simples, ou assim o parece. Afinal, será possível sair-se vivo de uma experiência destas no espaço? Sem gravidade, sem comunicações com a Terra, com pouco oxigénio e a uma velocidade, ora alucinante, ora quase inexistente, Ryan e Matt transportam-nos para outra dimensão.

O que torna Gravidade especial não é o argumento em si, mas a forma como o conceito foi explorado. Pouco nos importa se os dados científicos estão correctos ou errados. Se aquela aventura, na realidade, teria tal desfecho ou não. O foco está nos sentidos. A respiração é ofegante. O movimento da câmara claustrofóbico. Observar a Terra a partir do espaço é delicioso, em oposição ao vasto campo negro que é o espaço. Não que o argumento não nos forneça nada, porque fornece. Os diálogos são introspectivos. Os monólogos de Ryan são repletos de medo. Mas, na verdade, são apenas meros complementos.

Visualmente, Gravidade é um daqueles filmes que ganha com a evolução tecnológica. Em IMAX somos transportados para a película. Sentimos-nos lá. O suspense é constante. A adrenalina das personagens também. Sem este, porventura, Gravidade torna-se bastante mais banal, sendo apenas mais uma aventura pelo espaço que corre mal. Há que viver toda a experiência ou muitos dos elementos do filme serão perdidos. 


O realizador consegue, ainda, fazer uma analogia ao "bebé estrela" de Stanley Kubrick. Em 2001: Odisseia no Espaço, Kubrick apresenta-nos um feto astral que simboliza o renascimento, ou uma nova fase de evolução para o Homem. Aqui essa ideia é assumida pela personagem de Bullock que em dado momento se coloca numa posição fetal, incidindo sobre si uma luz, como em 2001

Curiosamente, Sandra Bullock acaba por ser um dos elementos mais fracos da película. O seu empenho é questionável já que em dados momentos a respiração e o seu discurso parecem mais ensaiados do que sentidos. Por sua vez, Clooney é igual a si próprio. Divertido e descontraído. É o lado fresco e leve de Gravidade. Mesmo assim, conseguem ambos tirar-nos o fôlego. 

Gravidade não é 2001: Odisseia no Espaço. Nem o pretendia ser. Embora ambos permaneçam, provavelmente, para a história como odisseias visuais, 2001 tinha uma mensagem mais forte. Gravidade, por sua vez, tem um argumento bem mais fraco, mas um impacto nos sentidos mais forte. Comparações à parte, esta aventura espacial prometia-nos 90 minutos sufocantes e consegue dar-nos mais do que isso. É uma experiência visual extraordinária e, de igual modo, assustadora. Leva-nos ao espaço e não queremos regressar.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Há coisas que adoro #7

Começa a ser um vício. Um vício de ti, oh mini-saia! Podes ser de pele, sim, e serás sempre bem-vinda. Podes ser pencil e ter bolinhas. E, aparentemente, agora também podes ter brilhantes. Ser reluzente. Ser divertida. Veja-se bem onde cheguei: mini-saias com brilhantes. Foque-se de novo o termo "brilhantes" pois não parece jogar bem com uma personalidade maria-rapaz. Mas joga e só não joga melhor porque é uma Isabel Marant. Nem vos digo o preço. Poupo-vos o desgosto.

@fashiontoast.com

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Há coisas que adoro #6

Uma saia em pele com fechos.Uma simples t-shirt branca. É preciso dizer mais alguma coisa? Ah, um pequeno e singelo vislumbre da cintura. 


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Há coisas que adoro #5

Contrastes e oposições. Jardineiras, ténis e um trench coat. Diziam que elas apenas tinham lugar nas quintas. Diziam que eles são desportivos. Diziam que ele é formal. Mas elas invadiram as cidades; eles conjugam-se com tudo e ele faz parte de qualquer combinação diária. É mais uma combinação improvável de quem sabe o que faz. 

@carolinesmode

terça-feira, 8 de outubro de 2013

The Newsroom

Will McAvoy (Jeff Daniels) é um jornalista adormecido. Perdeu a garra e vive obcecado com as audiências. E, estranhamente, nada tem a ver com lucros - embora a ideia agrade à estação. A chegada de MacKenzie McHale (Emily Mortimer), com uma nova equipa, leva Will a acordar. É forçado a abrir os olhos. Forçado a fazer o melhor jornalismo que esta equipa consiga fazer. E ele agradece. 


The Newsroom parece utópico: uma equipa entra numa estação dominada pela ideia de lucro proveniente de um jornalismo sensacionalista e transforma-a num exemplo. Em dado momento, Will McAvoy, chegado do mundo dos mortos, afirma que vai civilizar a sociedade. Condena essa ideia de sensacionalismo, de lixo intelectual, e debate-se para trazer para o mundo dos vivos algumas das pessoas com que se cruza. 

É utópico. Parte de uma ideia quase impossível de concretizar. Mas todas as boas ideias partiram de algum tipo de ideal, de um idealismo que se procurou concretizar ou defender. Em The Newsroom o pretendido é isso mesmo. MacKenzie enternece-nos com gritos inspirados: "E se fosse possível?", e com histórias como a de Don Quixote. 

O que torna esta série excepcional é a forma como consegue relacionar toda esta utopia com a realidade. Primeiro, as peças jornalísticas e os assuntos tratados partem de eventos ocorridos à data. Marcos reais que nos dão uma noção de como a cobertura poderia ter sido feita pelos media. Depois, apesar de toda esta noção idealista, nem tudo corre bem. O jornalismo mantém-se um lugar decadente, por vezes, outras vezes é apenas dominado pelos lucros. 

Para além de um enredo delicioso, The Newsroom ganha imenso com as interpretações de Jeff Daniels e Emily Mortimer nos papéis principais. Este Will McAvoy parece-nos um real homem da televisão. Com as suas manias e o distanciamento perante os súbditos. Um homem aparentemente frio, mas com um coração enorme. Já MacKenzie McHale é o rastilho da bomba (ou a própria bomba). Cheia de força, energia e ideias. Não deixa ninguém indiferente com os seus gritos frenéticos. Outra excelente interpretação cabe a Sam Waterston, o Charlie Skinner, com os seus fatos de estilo antigo, o seu ar sábio, a sua garrafa de bourbon. Sempre pronto para fazer-nos rir.

The Newsroom dá-nos esperança. Faz-nos acreditar que o jornalismo não tem de morrer, de se perder pelo interesso do público e dos anunciantes. Faz-nos acreditar que se os jornalistas quiserem, nem tudo está perdido. E, sim, é utópico, é uma ideia, é uma fantasia, mas são elas que nos fazem continuar. Portanto, se The Newsroom ganha ao transmitir-nos esses sonhos? Ganha. E se adoramos as disputas entre o Will e a Mac, apesar de sabermos que é tudo puramente comum? Adoramos. E se queremos vê-los juntos no final? Queremos.


domingo, 6 de outubro de 2013

A Força estaria comigo, assim

Não brinco com sabres de luz. Não faço os sons do R2D2. E não, não tenho pêlos e não faço grunhidos como o Chewbacca. Quer dizer, às vezes faço e digo May the Force be with you. Falo do dark side, do Luke e da Princesa Leia. Falo do Darth Vader, do Yoda, do Obi-Wan e dos Jedi. Também jogo Angry Birds na versão Star Wars. Conheço alguns dos planetas, como o Tatooine, mas não todos. Não sou viciada, nem me faço de fã wannabe pretensiosa da saga. Gosto, ponto final. Sem exageros.

Mas, numa onda de t-shirts e sweaters com cartoons, desenhos animados e coisas meio nerds, sou exageradamente fã destas. 



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sábado, 21 de setembro de 2013

The Place Beyond the Pines


Derek Cianfrance que já nos tinha maravilhado com Blue Valentine (2010), um romance tragicamente real, decidiu manter a mesma linha de análise realizando mais um filme trágico. The Place Beyond the Pines (2012) encontra-se dividido em três partes, cada uma com o seu protagonista. O enredo é uma teia que interliga e explica as acções das personagens intervenientes após o despoletar da acção.

Luke (Ryan Gosling) é um homem despreocupado que ganha a vida a fazer acrobacias com a mota. Anda de cidade em cidade e acompanha o circo. Quando regressa a Schenectady procura Romina (Eva Mendes), uma ex-paixão de uma passagem anterior. É aí que descobre que Romina teve um filho seu. Perante a responsabilidade de criar um filho e contribuir para a sua educação, Luke decide ficar pela cidade. Mas as coisas não lhe correm bem. A ambição desmedida acaba por ser o seu fracasso. 


É aqui que entra Avery (Bradley Cooper). O polícia, que fica ligado à família de Luke para sempre, acaba por também ser confrontado com a ambição. Até onde estamos dispostos ir? Que somos capazes de fazer? E, de que vale a moralidade quando não existem valores?  Terão as diferenças sociais e educacionais algum impacto nas decisões de Avery? Sim, têm. 

Anos mais tarde, a acção foca-se nos filhos de Luke e Avery. Supostamente, no filho do "mau" e no filho do "herói". Serão, também eles, retratos destas diferenças? Ou terá a educação (ou falta dela) feito destes jovens faces da mesma moeda? Este terceiro, e final, acto centra-se nas decisões de Jason e de AJ face ao passado dos seus pais e ao que lhes proporcionam no presente. Ou seja, face ao seu destino, à sua sorte. 

The Place Beyond the Pines, apesar das suas singularidades, tem uma fotografia similar a Blue Valentine. Os cenários (bem ao estilo americano classe média-baixa), as movimentações da câmara (ora rápidas, ora lentas), os contrastes da luz, são características notórias do realizador e, se em Blue Valentine foram mais valias, também aqui o são. O filme é visualmente muito rico o que compensa o facto de às vezes sabermos - ou supormos bem -, o que vai acontecer na próxima cena.

Já Ryan Gosling e Bradley Cooper demonstram porque são dos actores mais aclamados do momento. Gosling ganha com uma caracterização cool, as tatuagens e o papel de bad boy. O qual consegue representar sem exageros e com uma atitude natural. (Está melhor em The Place Beyond the Pines do que em Only Good Forgives - neste faltou a Gosling qualquer coisa, mais profundidade). A fazer o papel de polícia honesto está Bradley Cooper que conseguiu afastar o ar de "bonzão" e demonstrar uma atitude mais "mundana". Parece um polícia americano, tal qual os que vimos na televisão. Nem mesmo um fato estiloso lhe tinha o ar de duro. O pedido de desculpa emocionado será, com certeza, um dos pontos altos da sua carreira nos próximos tempos. 

The Place Beyond the Pines não é um filme espectacular, mas esteve quase lá. Quis mostrar mais do que efectivamente conseguiu (porque não se pode mostrar tudo). Incidir sobre diferenças sociais, ambição, honra, família, heranças, destinos, sorte/azar, amizade, em duas famílias, em três tempos distintos não é fácil. É demasiada informação e alguma ficou forçosamente comprimida. Fora isso, é uma crítica deliciosa, com uma narrativa visual ainda mais deliciosa. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Behind the Candelabra

Brilhante - de reluzente -, lunático e fantasioso. Este é o mundo que Behind the Candelabra (2013) retrata, focando-se, sobretudo, nos cinco/seis anos de relação entre Liberace (Michael Douglas) e Scott Thorson (Matt Damon). Realizado por Steven Soderbergh, o drama biográfico foi inspirado no livro de memórias de Thorson, "Behind the Candelabra: My Life With Liberace", o que explica o (curto) período temporal  da película. 

Quando na sinopse divulgada pela comunicação social se ouve, e lê: "Antes de Elvis, Elton John, Madonna e Lady Gaga existiu Liberace", eles não enganam, nem exageram. Neste Behind the Candelabra, Liberace aparece-nos assim. Luxuoso, extravagante, cintilante, meio louco e, ainda que não assumido, visível e claramente gay. O seu amor, ou a sua forma de amar, era também assim, exagerada, exorbitante, desmedida (mas temporal, como se verá). 

Em 1977, quando Liberace conhece Scott, não perde tempo a fazer dele o seu novo protegido, correndo com o anterior. Enche-o de amor e, tal qual um ser de origem divina, coloca-o a viver à sua semelhança. Roupas, jóias, plásticas, mansões, carros, tudo era decidido por ele. Durante anos Scott foi a sombra de Liberace. Um espelho que fazia o artista sentir-se mais novo; um alter-ego em carne e osso. 

Mas todo o divertimento retirado de um brinquedo novo tem o seu fim. Especialmente quando este se parte. Scott cede perante as drogas ficando viciado. Torna-se paranóico e ciumento. As discussões entre o casal agravam-se. Liberace aborrece-se com esta nova versão de Scott. Conhece um outro rapaz e toma-o como protegido, substituindo Scott por algo mais novo e mais fácil de deslumbrar (e entreter). Com um novo projecto em mãos a separação de ambos vêm a público e torna-se complicada. O mundo surreal de Scott tem o seu fim. 

Michael Douglas interpreta este Liberace de forma fantástica. Incorpora uma diva, quase uma drag queen com laivos de Lady Di, de princesa. Uma personagem extremamente excêntrica e homossexual, ainda que procure manter uma certa classe e requinte. Matt Damon acompanha Douglas com igual sucesso. Ainda que Scott Thorson seja uma personagem mais realista, afinal, não era nenhum artista. Juntos conseguem transpor o amor, as emoções, desta relação tão profunda e igualmente complicada como se efectivamente estivessem enamorados.

Curioso é que, se durante toda a vida Liberace procurou esconder a sexualidade - e conseguiu -, é  ao morrer que a verdade vem ao de cima, sem hipótese. Behind the Candelabra questiona-nos sobre a vida destes grandes artistas, das divas. Vivem de forma tão desafogada, surreal e excêntrica e acabam por morrer sozinhos, tristes e com arrependimentos. De que vale então o sucesso? O dinheiro? O luxo? De que servem então quando vividos em demasia? De que vale trocar-se de brinquedo, deita-lo fora, quando, apesar de partido, ele nos fez tão bem? 

sábado, 14 de setembro de 2013

Before Midnight | Finalmente!

Lembram-se daquele Elogio ao Amor feito por Miguel Esteves Cardoso em que este afirma que o amor é uma coisa, a vida é outra, e que a vida mata o amor? Before Midnight foca-se mais ou menos nisso. Quer dizer: sim, é isso.

Depois das suas anteriores aventuras, Jesse e Celine vivem agora juntos, estão na casa dos quarenta. Têm duas filhas, a somar ao filho anterior de Jesse, e estão de férias na Grécia. Depois  do primeiro encontro de sonho em Before Sunrise, e do reencontro mais amadurecido em Before Sunset, a vida de ambos tende a tornar-se cada vez mais real. 

Neste Before Midnight o enredo, ainda que se foque no casal, conta com mais interpretações. As conversas passam a dar-se em grupo. As miúdas estão, quase sempre, presentes. Compreende-se que Jesse e Celine não são mais dois miúdos apaixonados, mas sim dois adultos a tentar sobreviver à maternidade enquanto lutam pela carreira de sonho e seguram as pontas do casamento. 

Todo o filme é divertido, com diálogos fluidos e "leves" até ao momento em que Celine e Jesse têm, finalmente, um momento a sós. O rastilho pega fogo. As divergências adormecidas pela rotina diária despertam. Celine demonstra o seu fulgor pela vida, a sua independência, o seu feminismo e Jesse, bem, Jesse é o rapaz. Procura fugir aos assuntos com piadas e acha Celine louca. Arrependimentos, mágoas, questões que se tentaram perdoar e esquecer surgem de parte a parte. E, sim, dá-se a explosão. 

Pegando no conceito inicial - encontros relâmpago pela Europa, conversas inteligentes sobre as relações, as expectativas e a vida em geral -, Before Midnight faz jus aos filmes anteriores e termina a trilogia de forma coerente. Nota-se uma evolução, não só no enredo, como nas próprias personagens. Quase vinte anos após o primeiro encontro, Celine e Jesse têm as personalidades vincadas - aquelas que nos lembramos -, mas não são quem eram naquela época. E, isso, é um dos melhores aspectos deste filme. É real. Não procura enganar ninguém. As relações, por mais apaixonadas que comecem, requerem sempre trabalho e dedicação. As pessoas evoluem. A vida interfere e o amor, esse, altera-se. 


sábado, 7 de setembro de 2013

Winter's Bone


Melancólico. Cruel. Frio. Winter's Bone (2010) não é o chegar do Inverno, mas a estação em si. Realizado por Debra Granik, foca-se no drama de uma adolescente - interpretada por Jennifer Lawrence -, que procura a todo o custo encontrar o pai, fugido à justiça, para não ver a casa onde mora com os irmãos ser penhorada. 

Ree Dolly é o foco da acção. Todo o enredo gira em torno desta jovem que é o sustento e a orientação de uma família disfuncional, inserida numa pequena comunidade algures nas montanhas americanas. Para encontrar o paradeiro do pai, traficante de droga, Ree tem de "desbravar" um caminho, uma comunidade, que não quer ajudá-la e muito menos falar sobre o que não deve ser falado. 

Ao relatar uma comunidade paralela ao sonho americano, a Hollywood,  Winter's Bone mostra-nos outra moral, e não só outra realidade. Nesta comunidade faz-se o que tem de ser feito para se sobreviver. E Ree não procura o pai, apenas, para fazer justiça. Procura-o para poder sobreviver e cuidar da família. Porventura, não se deve afirmar que relata outra moralidade, mas sim, a falta desta perante a criação de um sistema de valores próprio da comunidade. 

Quanto aos desempenhos, a Jennifer Lawrence cabe o sucesso maioritário do filme, tendo sido nomeada pela Academia ao Óscar de Melhor Actriz Principal. Esta não é, de todo, a Jennifer que estamos habituados a ver nas capas de revista. Ree é uma personagem forte, integra, com um enorme instinto de sobrevivência e lutadora. Jennifer não falha, nem no sotaque perfeito, e não satirizado, que adoptou para a sua personagem.

Winter's Bone é tudo o que foi referido, mas é sobretudo sobre a sobrevivência e o caminho para esta. Consegue ser uma brilhante obra melodramática e uma crítica à sociedade norte-americana tão cheia de excessos. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A julgar por estas noites, podem parar de me chamar louca

Vem com a brisa, como quem é bom demais para estar sempre por perto. Deseja-lo durante todo o tempo. É quente e reconforta. Aconchega. Faz par com a manta, com o filme, com as peúgas às riscas, as pantufas peludas ou o cachecol feito pela avó. Há quem seja louco, não só por o desejar durante todo o tempo, como por o consumir durante todo o ano. E, eu sou louca. Sou louca por chá.

domingo, 25 de agosto de 2013

Até para o ano

Manhãs e tardes refasteladas ao sol; Idas e idas a banhos com água amena; Acordar com vista para o mar; Comer marisco até fartar; Ler sem me preocupar. Em resumo: uma semana que se só repete para o ano, provavelmente. Até lá, ficam as marcas de biquíni, o bronze para adorar e uma ressaca literária que me faz odiar não ter uma livraria já aqui ao lado (O Festim dos Corvos precisa-se, já!).

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Grandes momentos do cinema: De Olhos Bem Fechados

De Olhos Bem Fechados: O retirar da máscara. 

Alice Harford: Millions of years of evolution, right? Right? Men have to stick it in every place they can, but for women... women it is just about security and commitment and whatever the fuck else!
Dr. Bill Harford: A little oversimplified, Alice, but yes, something like that.
Alice Harford: If you men only knew...







segunda-feira, 29 de julho de 2013

The Carrie Diaries

Não tinha pensado ver mas, sem Sex and the City e sem Girls, senti falta de uma série mais inclinada para o público feminino. The Carrie Diaries, pelo menos, prometia-me ouvir o ressoante nome "Carrie Bradshaw". E isso, sabe sempre bem. 

The Carrie Diaries funciona como uma prequela para o Sex and The City e faz-nos viajar até aos anos 80 com a Carrie e as suas aventuras antes da cidade (e do sexo). Mas não é, nem de perto, nem de longe, tão excitante quanto a primeira série. Logo no primeiro episódio denotam-se algumas imprecisões históricas, nomeadamente sobre os pais da Carrie. Para quem se recorda, no episódio em que a Carrie começa a escrever para a Vogue, ela afirma que o pai a deixou, a ela e à mãe, quando era pequena, tendo crescido sem uma presença masculina. Ora, nestes anos 80 parece que a mãe da Carrie faleceu e esta vive com o pai e uma irmã mais nova. 

Resulta, mas dá-nos a conhecer uma Carrie bastante diferente da que estamos habituados. Por vezes, é estranho imaginar que esta é a Carrie, antes do sexo e da cidade. É claro que já aqui ela procura o seu "eu", se apaixona por Manhattan e tem um jeito especial com as roupas. É sincera, meio ingénua e uma ternura, mas parece tudo em demasia. Parece demasiado "certinha".

As referências temporais também têm muito que se lhe diga. Estes anos 80 estão estranhos. Em certos momento nem nos lembramos que a série se passa nessa década e noutros, pelo contrário, somos impactados com um exagero de indumentárias exuberantes, brilhos, néons e tudo mais. Roça o cliché, em vez da originalidade. Os quarenta minutos por episódio também parecem extensos e acabam por ter muitas pausas. Vinte, trinta minutos por episódio seria o ideal. 

Apesar de tudo isto, a série cumpre. Entretém. Consegue deixar-nos curiosos. Assenta nos problemas normais dos adolescentes, mas introduz algo próprio com as personalidades de cada personagem. A AnnaSophia Robb é adorável. Suspiramos com o Austin Butler de tão cool que é. Mas a minha personagem preferida é a Mouse, interpretada pela Ellen Wong, a típica nerd divertida. 


sábado, 27 de julho de 2013

Para hoje, é isto #12

É Verão, está frio, chove e a vontade de ficar o dia inteiro enrolada numa manta a ver televisão aperta. 
Ler um livro na cama; beber uma grande chávena de chá ou café e comer doces. 
Que raio de Verão me dá vontade de usar calças? E uma camisola mais composta? Este. 




sexta-feira, 26 de julho de 2013

Só Deus Perdoa

Nicolas Winding Refn apresenta-nos um submundo onde a imoralidade domina e corrompe os seres. Esta é a história de uma mãe que procura a vingança pela morte do filho mais velho a todo o custo. É a história de um filho que procura o amor da sua mãe e, para isso, vagueia entre o bem e o mal, entre a moral e a imoralidade. Mas, este filho não perdoa, porque ninguém perdoa para além de Deus. 

Só Deus Perdoa é visualmente riquíssimo. Os amantes de diálogos ficarão desiludidos visto que, para mim, esse é o grande ponto fraco do filme. São poucos e não acrescentam muito à trama - salvo uma última conversa entre mãe e filho. Mas isso não importa pois, aqui, quem narra são as imagens, os cenários e a fotografia. O contraste entre o vermelho e o azul, entre os dois lados do Homem, porventura, tal como o dualismo em todo o filme. 

Frio, cru, por vezes, demasiado violento, faz-nos arrepiar cena sim, cena não com um sistema de rodagem lento. Tão lento que pode aborrecer quem espera um filme de acção kick ass sempre a abrir. Esta não é uma violência oca. É uma violência que procura levar à reflexão e essa reflexão tem de ser feita com calma, com a calma que divide o ecrã com a violência. 

Ou se gosta ou se odeia Só Deus Perdoa. Tem personalidade, mas assume demasiado o estilo de quem o realiza. Como li pelo C7nema é preciso "saboreá-lo". Ter a decência de observar as entrelinhas e de o pensar. Senão iremos odiá-lo, porque é parado e mal tem diálogos, mas tem um propósito e uma mensagem e, essa, é que "Só Deus Perdoa". 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Vou dar um grande aparo na juba!

Ah!, parecia... Estou a brincar. Toda a gente sabe que és incapaz. Mas, serei mesmo? És. Da última vez choraste durante uma semana. Mas fica tão giro! E deve dar tão menos trabalho. Eu sei. Eu sei. Mas vais-te arrepender. Como vou? Parece tão leve, tão cool. Cala-te! Vais chorar para caraças. Deixa-te de ideias. Eu sei. 









quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nicole Kidman, em The Paperboy

Ou devo dizer: Nicole Kidman a dar show? Nicole Kidman e o Óscar que poderia ter recebido? Pois.
The Paperboy - Um Rapaz do Sul é um filme mediano: o enredo peca pelo excesso de sexo implícito, muitas vezes, sem nexo; pela utilização de uma narradora que, a meu ver, apenas vem estragar o enredo e não permite um aprofundamento da trama e por desempenhos fracos. Podem espreitar a crítica do Portal Cinema, aqui, de onde partilho grande parte das opiniões.

Mas vamos recuar um pouco... Conheci a Nicole em Far and Away (1992), ao lado do Tom Kruise. Era uma criança, a Nicole era deslumbrante e o Tom, bem, na altura também o achava deslumbrante, por isso adorava o filme e adorava vê-los a contracenar juntos.  Depois, lembro-me de ter visto mais uns quantos filmes dela, até ver Cold Mountain (2003), mais um romance que faz perder a cabeça de uma inocente criança - há que notar que nasci em 92. Nessa altura pouco me importava o desempenho, os enredos, os planos e todas essas coisas que importam agora. O que eu sabia é que, já nessa altura, a Nicole tinha algo de especial. Os caracóis loiros, a tez clara como pó de arroz, uma voz doce... Todo um je ne sais quoi que por pouco lhe valeram um poster na parede do meu quarto.

Em Cold Mountain.
Cresci e conheci o Kubrick com Eyes Wide Shut (1999) [em baixo, à direita] e um prolongamento da Nicole que já admirava. Uma Nicole feminina, atrevida, que se entrega aos papéis com a alma; uma Nicole ainda mais misteriosa e interessante. Seguiu-se o The Hours (2002) [em baixo, à esquerda], onde ela está irreconhecível e toda a emoção transparece por algo que faz com os olhos e com a voz suave.


Eyes Wide Shut.

E, agora, neste Paperboy (2012) questionei-me sobre a Nicole que conhecia. Pensei: "Caramba! Onde está a Nicole integra, senhora, inocente ainda que sexual? E quem é esta bimba ordinária completamente trashy?"; "Quem é esta mulher que rasga as collants e finge um orgasmo em frente a quatro homens?"; "Quem é esta Nicole que fala com sotaque do sul e se comporta como tal?". Foi um choque agradável. E foi um choque ainda mais agradável ver que a Nicole Kidman é capaz de carregar um filme inteiro às costas com um desempenho digno de uma grande, grande actriz ao interpretar Charlotte Bless. Em The Paperboy, Nicole transpõe tudo o que fez anteriormente. E, penso seriamente que este papel deveria ter funcionado como um ponto de viragem na sua carreira. Se irá funcionar ou não, não sei, pois o seu desempenho espectacular perdeu-se num filme sem grande impacto cinematográfico. Se ela merecia um enorme reconhecimento por este papel? Sim, merecia.

The Paperboy.

Ps: Sim, ando um bocado atrasada e tenho muitos filmes para pôr em dia, mas, hey!, vou sempre a tempo. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Elena Perminova

Há algo nas Helenas. Veja-se a Helena Bonham Carter ou esta modelo russa estonteante. A Elena Perminova faz-me querer ser melhor. Faz-me querer levantar mais cedo só para ter uma hora extra para cuidar de mim e escolher um outfit perfeito. 
Quando penso nestas duas (H)Elenas penso em irreverência, estilo, personalidade, combinações estranhas e imensa pinta. Há algo de extraordinário nelas. Mas, este post é decidado à segunda, à Elena, sem H. 
À Elena loira, de cabelo certinho, rosto lavado e lábios cor-de-rosa. À Elena modelo, de corpo esguio e pernas longas. À Elena que usa tons fortes, mistura padrões e calça saltos vertiginosos. À Elena que enverga grandes nomes da moda internacional como quem pode; porque é fixe, porque parece um cabide com atitude. À Elena que faz isto tudo parecer super fácil. 










Imaginem a Carrie a saltitar por Nova Iorque com os seus Manolos

Agora imaginem-me a mim a saltitar por Lisboa, com os meus sapatos comprados nos saldos, com uns meros 5 centímetros de salto, toda contente. A calçada não me impede de usar saltos médios e estes, apesar de serem novos, são bastante confortáveis. Agora imaginem-me a chegar a casa, a tirar os meus lindos sapatinhos novos e a olhar para as capas dos saltos que após uma, deixem-me repetir, UMA, ida à rua já estão um caos. Agora a sério, imaginam a Carrie a passar pelo mesmo em NY? Não, ninguém imagina. 

Somewhere

Somewhere, de Sofia Coppola, parece tão perdido como o seu próprio nome; encontra-se algures entre um mau filme e aquele que poderia ter sido um bom filme. 
O enredo, que é simples, retrata-nos um actor de Hollywood que após conviver mais seriamente com a sua filha entende que, provavelmente, durante muito tempo encheu o seu vazio com absolutamente nada. 
Todo o filme poderia ter sido um enorme cliché, mas foi realizado pela Sofia que consegue fugir da norma. Como? Ao retratar-nos uma Hollywood melancólica. 
Rui Pedro Tendinha escreve na Vogue deste mês que, em Somewhere, "Sofia filmava o vazio de uma cidade" e usa expressões como "decadência" ou"circo triste de Hollywood" para descrever o filme. Considera o enredo "tão LA". E é. É Los Angeles dos "pés à cabeça". Mas é uma LA bastante diferente do que estamos habituados. Quer dizer, Hollywood é, geralmente, sinónimo de diversão, cor, brilho, luxo, álcool e muita droga. E, embora tudo isto esteja presente no filme de Sofia, ele não se compara a um show de Kardashians
Sofia mostra-nos a cidade de uma forma panorâmica, com uma rodagem distante e em movimento - estradas, existem muitas cenas de estradas -, mas mesmo assim, o ritmo é lento, pausado e profundo. Como se o movimento e a pausa, a distância e a profundidade funcionassem não de forma antagónica mas para nos unir à personagem. Numa dada cena (não quero fazer spoiler), Sofia inspira-se em 2001: Odisseia no Espaço, de Kubrick, e centra-se na respiração pausada e, ao mesmo tempo, ofegante do personagem principal para nos transpor os seus sentimentos. 
Mais uma vez, a realizadora apostou numa banda sonora clássica da Sofia. Penso que já podemos falar assim, dado que em todo o filme parece tocar uma playlist de Coppola, com Foo Fighters, Phoenix, Gwen Stefani ou The Strokes. 
Quanto às prestações, Stephen Dorff, como Johnny Marco, parece fazer dele próprio ou então é mesmo bom actor. Acho que é uma junção de ambos os factores. Tem um perfil que funciona: tem ar de estrela, mas ao mesmo tempo emana um je ne sais quoi de decadente, de deprimente. Em oposição, claro, à sua filha Cleo, interpretada por Elle Fanning que parece um foco de luz em todo o filme de tão adorável que é. 
Somewhere é, na minha opinião, o pior filme de Sofia Coppola. Um devaneio que se tornou real, mas mesmo assim consegue ser uma película agradável. Sofia, de uma forma ou de outra, consegue encher-nos o peito e deixar-nos satisfeitos, mesmo que não seja muito. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Uma sala perfeita e real

Num mundo perfeito, as salas poderiam ser todas brancas: sofá branco, tapete branco, mesa de café branca, almofadas brancas. No mundo real, o branco tem de ser usado com mais restrição. Caso contrário tornar-se-ia num maldito dálmata colorido... de manchas. O exemplo desta sala parece-me, realmente, uma perfeição. Abusa dos tons neutros, mas em cores diferentes para não se tornar monótono (uma sala toda branca é uma sala toda branca; uma sala apenas num tom pastel é uma pasmaceira). É confortável, tem carisma, espaço para livros e para as flores, e ainda para um globo. 
Se colocar-nos um pouco de nós naquilo que fazemos, neste caso, na decoração de uma sala, para além de ela se tornar o nosso reflexo, pode muito bem ficar super cool. Afinal, o importante é sermos sempre nós, e como alguém me disse uma vez, com muita paixão. 

Fonte, aqui.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Olha, a Miranda é a tia má n'Um Mundo Sem Fim

Na verdade não é a Miranda, do Sexo e a Cidade, mas sim a Cynthia Nixon que faz agora um papel surpreendente n'Um Mundo Sem Fim. Comecei a ver recentemente, já que o AXN tem apostado numas séries históricas. Até ao momento, Um Mundo Sem Fim tem sido uma pequena desilusão. Demasiado sexo, e mais sexo e violações e cenas de perversão. Mas, fora isso, consegue relatar umas interessantes peripécias sobre o Rei Eduardo III, de Inglaterra, e a sempre tão controversa Igreja. (Se calhar devia ter visto Os Pilares da Terra primeiro, mas...). Aposto que a série não está a fazer jus aos livros do Ken Follett dado todo o reboliço em seu redor, e o tão pouco interesse demonstrado na série. 

De qualquer das formas, este post era supostamente para ser dedicado à nossa Cynthia, a eterna Miranda. Acreditam que agora faz um papel histórico e, ainda por cima, faz de má? A sério! A nossa grande Miranda é agora uma "tia do pior", mas o sarcasmo continua lá. 



segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lolita, Vladimir Nabokov

Retirada do meu instagram.
Publicado em 1955, Lolita é um marco da literatura e um livro único. Afirmo-o pois é completamente diferente daquilo que já li anteriormente, e daquilo que no futuro poderei ler - suponho. Nabovok escreveu-nos sobre um professor, Humbert Humbert, que tinha uma obsessão pedófila. A narrativa é contada na primeira pessoa, como se o próprio professor escrevesse um diário sobre as suas memórias e a sua aventura com uma pequena ninfeta, Dolores Haze - a sua Lolita. 
Para além de Nabokov se focar num assunto sério, chocante e peculiar, alerta-nos, ainda, para essa realidade. E o mais chocante não é, de facto, esse foco, mas a forma como o escritor lida e nos demonstra a história, que bem podia ser verdadeira. 
Lolita é todo ele dirigido ao leitor. O narrador, Humbert, fala com o leitor e alerta-o para certos factos. A forma crua, mas cuidada, para não ferir susceptibilidades, é brilhante e deixa-nos mais chocados, nojentos, do que se tudo fosse explicito. Isto pois, compreendemos que, se tudo tivesse realmente acontecido, o professor tinha completa noção do quão perverso, demoníaco e doente seria. 
É de génio a forma como Nabovok se conseguiu colocar na mente de um pedófilo e criou um enredo complexo (Estaria a falar de si? Do seu ego? Das suas múltiplas facetas?). Tão complexo que o leitor poderá não entender certas passagens devido a referências que remetem para outras obras literárias. 
Maurice Couturier fala de um estilo «poerótico». Uma narrativa que mistura um estilo de poesia, de escrita delicada, em que Humbert embeleza um romance fatídico, imoral, mas apaixonado, com um estilo erótico que se prende com os desejos e obsessões sexuais do professor. 
Lolita, por sua vez, é-nos retratada como uma criança com um desenvolvimento sexual pouco comum para a sua idade. Cheia de histórias das bandas desenhadas e do cinema, cheia de histórias de Hollywood. Humbert fala da jovem como se esta fosse ela própria um pecado, mas ao mesmo tempo uma criança adorável. Cheia de ícones sexuais nada adequados a uma criança, mas com atitudes de pura meninez. E se Humbert nos parece nojento, Lolita parece-nos também, muitas vezes, uma criança dissimulada. Provoca o professor, é caprichosa, mente... Contudo, não passa de uma criança. 
Olhando, actualmente, para o amadurecimento forçado que as jovens adolescentes procuram, com maquilhagem, soutiens almofadados, decotes, uma atitude demasiado adulta e a exploração sexual demasiado precoce, Lolita parece-nos um alerta. Já que quanto à pedofilia pouco podemos fazer, a não ser estar alerta, quanto às lolitas muito pode ser feito. 
Não vejo o mito de Lolita, criado por Nabovok, como algo a aspirar ou algo belo. Vejo-o como algo fatídico: mais como crianças indefesas, crianças imaturas que procuram a sexualidade e a sensualidade precoce devido aos estímulos exteriores (cinema, publicidade, revistas - todos procuram vender o sexo), e que devido a essa imaturidade e ao desejo dissimulado daqueles que as deviam proteger acabam por perder a sua infância. 
Em suma, Lolita é um livro que leva à reflexão - poderia continuar a descrever mais teorias e pensamentos até amanhã -, através da relação perversa entre um professor e uma ninfa, numa trama emocionante, poética e erótica, sem ser pornográfica. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Once Upon a Time terá mais temporadas?!

A sério? (Cliquem para informações mais detalhadas)


Adorei a primeira temporada. Estava tão viciada na trama que era capaz de ver vários episódios seguidos. Achei que a história estava muito bem feita e que dentro do género fantasia tinha sido das melhores séries dos últimos tempos. Quer dizer, quem tem cabeça para pensar em todas aquelas relações entre os contos de fadas e as personagens umas com as outras? É de mestre! Os cenários estavam muito bem feitos, a caracterização das personagens dava aquele ar de fantasia, de conto de fadas, de cor-de-rosa...

A segunda temporada desvaneceu. Começou muito bem, activa, cheia de mistério e aventura, com um bom ritmo. E foi assim até a meio da série. A última metade de episódios foi esmorecendo cada vez mais ao ponto de eu simplesmente deixar de ver. 
Agora que estou mais livre, decidi retomar e vi os últimos episódios que me faltavam. Fiquei cansada. Acho que Once Upon a Time está a chegar a um ponto de exaustão, quer dizer, já lá chegou. As histórias em flashback, no reino encantado começaram a ser cada vez mais rebuscadas. Não conseguem introduzir personagens novas porque os contos escasseiam e acabaram por empatar. E, a opção de colocar agora como vilões duas personagens que querem acabar com a magia pareceu-me... estúpido.

 É aborrecido. A Branca de Neve e o Príncipe Encantado continuam a querer fazer o bem; a Bruxa Má continua a ter o mesmo conflito interior; o Henry anda para lá e para cá; a Emma ainda não sabe muito bem como ser uma heroína, apesar de saber que tem, porventura, o papel mais importante; os novos vilões têm um caso amoroso e traem toda a gente, mas são do mundo actual e não percebem grande coisa dos contos...

Contava mesmo que esta fosse a última temporada. Não por não gostar da série ou por não querer mais, mas por julgar que o caminho que esta tomou não foi o melhor. Julguei, sinceramente, que seria cancelada. Mas não foi e o último episódio deixa-nos imensas portas abertas. Basicamente, é uma nova aventura. Por isso, tenho alguma fé. Tenho alguma esperança que nesta nova aventura inesperada a série tome, também ela, um novo rumo. Afinal, quase que podem começar a série do zero. Caso contrário... perderão uma fã. 

Once Upon a Time deverá regressar em Setembro.