quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O caso do Público e dos outros

Tomei hoje, com tristeza, conhecimento da reformulação e dos despedimentos que irão ocorrer no seio do jornal Público. É, a par do Diário de Notícias, um dos jornais que mais compro. Tenho o hábito de comprar jornais todas as semanas. Por mais que siga de forma online as notícias, e que jante a ver o telejornal, não há nada como folhear aquele bocado de papel, ficar com as mãos sujas, e deixar-lhe marcas vermelhas de verniz pelas páginas. 

Conversava hoje com o meu pai sobre estes despedimentos. Ele tinha acabado de chegar do café onde fora para ler o jornal e, como normalmente, o jornal que o café dispunha era o Correio da Manhã. Então, ele dizia-me"O CM dá às pessoas o que elas querem: noticias de mortes, desastres, coisas que não interessam a ninguém, basicamente. Ler um jornal que fale de política ou de economia dá trabalho. Uma pessoa tem de pensar. Têm de pensar enquanto lêem e têm de pensar depois. Isso dá trabalho".  
Ele tem toda a razão, e isso deixa-me ainda mais triste. Não que não deseje toda a sorte ao Correio da Manhã e a todos os outros jornais mas, caramba, porque raio gosta o povo de se perder com coisas fúteis? Porque raio prefere o povo ser ignorante? 

Ontem, enquanto estava no hospital, vi a Casa dos Segredos. Numa sala de espera, cheia de gente, com tantos canais, a televisão estava justamente na TVI. Por brincadeira, e dentro da programação da Casa, uma repórter veio para a rua colocar questões de cultura geral às pessoas. Dá para acreditar que uma senhora respondeu que a TSU, e passo a citar, "é mais uma coisa que eles nos querem tirar"? E que uma jovem, provavelmente uma estudante universitária, afirmou que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, era "o... o... o... Paulo?! Paulo Futre" (risos) ?!

Enfim... Toda esta conversa para dizer que acredito que a crise que assombra a imprensa reflecte esta falta de desinteresse do público. Quer pela política, quer pela economia, quer pelo estado do país e da nação, quer, e acima de tudo, pela cultura. Honestamente, acho que a crise não veio ajudar em nada. Se o dever das pessoas deveria ser informar-se, formar uma opinião, estudar a situação, analisar e assimilar a informação de modo a tornar-se um cidadão activo, opinativo, e lutador da sua causa (não da causa geral, do "só porque isto está mau"), as pessoas preferem desligar. Preferem tornar-se máquinas, robots, seres vegetativos. 

Como tudo na vida, esta crise da imprensa é um ciclo, e um reflexo, não só do desinteresse da sociedade, como do determinismo tecnológico. E, nesta área, tenho uma opinião formada, e bem clara: dêem lugar aos jovens! As chefias dos media são, na grande maioria, ocupadas por jornalistas mais velhos, mais experientes, e é normal. Trabalharam toda a vida, merecem ganhar mais, e ter um lugar mais privilegiado na hierarquia. Contudo, somos nós, jovens, que nascemos nesta nova era. Fomos nós que crescemos com o desenvolvimento de tudo: desde a televisão à internet. Deixem-nos falar! Ouçam-nos! A experiência deve ser aliada à novidade, deve ser 'arejada'. O jornalismo só tem a ganhar connosco. Mas se não há dinheiro, se não existem anunciantes nem compradores, tudo isto se torna um ciclo vicioso, e a inovação fica para segundo plano, ou para um plano pouco correcto. 




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