sábado, 15 de setembro de 2012

15 de Setembro

Hoje sai à rua. Gritei, assobiei, cantei, bati palmas. Manifestei-me da melhor forma que posso. Não tenho conhecimentos político-económicos para puder apresentar as minhas soluções e alternativas. Mas tenho voz para refutar e manifestar a minha insatisfação perante o rumo que o país segue. 
Hoje saí à rua. Vi famílias, pais e filhos, avós e netos. Jovens, adultos e idosos. Pessoas de todos os quadrantes políticos, ali, a lutar pelos seus direitos. E afirmo: foi das coisas mais bonitas que já presenciei. Vi uma idosa a chorar na sua varanda, enquanto batia com os tachos e o povo gritava "Coelho para o tacho". Vi-a chorar. Vi-a distribuir beijos sobre os manifestantes. E contive as minhas lágrimas perante tal acto de humanidade, de desespero e de união. 
União. Foi isso que o povo fez neste 15 de Setembro. Uniu-se. Saiu para as ruas e gritou. Lutou. Para aqueles que ainda acham o povo 'manso', para aqueles que no conforto da sua sala criticam, tenho a dizer-vos: saíssem e sentissem ali, a força do povo. Acham que não podíamos ter pegado fogo à cidade? Podíamos. Acham que não podíamos ter partido vidros, arremessado pedras e outros objectos? Podíamos. Acham que não podíamos ter enfrentado os polícias que sofrem como nós, mas que cumprem o seu dever? Podíamos. Mas temos bom-senso. O povo português tem bom-senso, não é manso. 
Eu, que sou a favor de uma manif mais à séria, mais revolucionária digo, esta não era a ocasião para tal. Como referi, pelas ruas estavam crianças, grávidas, pessoas com mobilidade reduzida, idosos. Esta não era a manifestação ideal para causas estragos. Por essa aguardo, ansiosamente. 
Para aqueles que ficaram em casa, que foram às compras ou à praia, peço que liguem agora a televisão e vejam o que perderam. Para aqueles que acham que o governo faz o que tem de fazer, um jovem de 20 anos pegou fogo à sua própria pessoa. Sacrificou-se. Acham que não o devia ter feito? Só ele sabe o que lhe passou pela cabeça. Só ele sabe da sua situação. Mas, meus caros, é este, cada vez mais, o retrato da nossa sociedade. 



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