sábado, 29 de setembro de 2012

Dilemas da escrita

Quando escrevo uma peça jornalística penso: "Espectáculo!", mas quando chega a altura de escrever um trabalho académico penso: "Estou lixada!". A forma de escrever uma e outra coisa é bem diferente ou, pelo menos, deveria ser. Invejo quem consegue conciliar ambos os estilos. É que eu não consigo mesmo. Tenho uma forma muito "crua" de escrever. Sou concisa, vou directa aos assuntos, não tenho jeito para rodeios nem para floreados. Nos trabalhos académicos isso daria jeito, especialmente porque temos um limite de palavras ou de páginas a cumprir. Estar algum tempo sem escrever trabalhos académicos também não ajuda, pois continuo a escrever segundo a norma jornalística e tendo ainda mais a pender para esta. Em suma, com uma tese e vários trabalhos para entregar, este semestre vai ser o terror. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A realidade do falso

Quem me conhece intimamente sabe que se há marca que venero é a Chanel. É uma adoração quase inexplicável. Começa pela própria personalidade de Coco Chanel, passa pelo ideal e pelas bases de confecção da marca, e chega a Karl Lagerfeld e às suas últimas colecções.
O que me entristece é saber que possivelmente nunca poderei adquirir nenhuma peça sua. Algo que eu gostaria imenso de fazer, não para ostentar poder económico ou riqueza, mas para satisfazer, quiçá, um capricho. Um desejo desmesurado, um sonho, uma fantasia. Não para passear a peça pela rua, mas para abraça-la, para admira-la e para contempla-la. As pessoas adquirem prazer ou satisfação das mais diversas coisas, eu adquiriria satisfação ao observar uma mala ou um casaco Chanel no seio do meu armário. Por enquanto, talvez tenha de me satisfazer com algo como o top abaixo. Seria uma falsificação, mas mostraria todo o meu real apreço pela marca. 




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A primeira aula do semestre

Pois é, o drama começou. Críticas, mal dizeres, palavrões, suspiros e irritabilidade. Estas são, talvez, as melhores expressões para descrever a primeira aula de qualquer semestre. É que a suposta primeira semana de aulas não conta. É para a praxe, para os copos ou, simplesmente, para dormir. A segunda semana é a sério. É a semana em que começas realmente a perceber quantos trabalhos tens para fazer, como funcionará o regime de faltas e de avaliação das cadeiras. É a semana em que percebes que tens dezenas de trabalhos para entregar numa mesma semana - bem, dezenas não, mas pronto, eu avisei, o drama começou. Tudo isto não deixa de ter uma certa piada. Se, inicialmente, o drama era do tamanho do mundo, agora não passa de um "O-M-G. Vou ter de abastecer a casa com Red Bull". (Marcas à parte, que ninguém me pagou para referi-las.) A verdade é que não existe um semestre que não pensemos o mesmo. Quando olhamos para a calendarização e percebemos a quantidade de coisas que teremos para fazer, colocamos as mãos na cabeça de aflição. Na dada altura puxamos os cabelos, esperneamos e o café nunca pode acabar. No fim, corre sempre tudo bem, com mais ou menos facilitismos. Acho que é como diz o ditado: «Nunca sabes o quão forte és, até teres de sê-lo». 

sábado, 22 de setembro de 2012

Ah e tal, começa o Outono...

O que tem os seus prós e contras:

Prós
O café e o chá saem das "prateleiras" para a minha barriguinha e começam a ter aquele toque especial que não têm durante o verão; 
Posso começar a usar casacos e malhas, sapatos e botas; 
Volta-se a carregar nos batons escuros, cereja, ameixa e por aí;
Vestir preto já não parece coisa de loucos;
Chegar a casa toda encharcada e tomar um banho quente;
As mantas e mantinhas também saem dos armários;
Já cheira a Natal! 

Contras
É toda uma confusão. De dia ainda faz calor, à noite já faz um frio de rachar;
Nunca sei o que vestir, ora tenho calor, ora tenho frio;
Começa a chuva. Adoro-a nos primeiros dias, enquanto fico em casa a ler um livro e a comer bolachas bebendo chá. Mas depois, é uma seca do caraças! Chapéu de chuva para aqui, chapéu de chuva para ali;
Começo a ter de usar mais roupa e eu odeio vestir muita coisa; 
Vou ter de ir às compras, abastecer o armário... Isto poderia ser óptimo, não fosse a crise...

E pronto, é todo um misto de emoções, sensações e demais, confusas e contraditórias. Não sei se gosto do Outono, se não. Por um lado, gosto, gosto muito. Uma das coisas simplesmente mais maravilhosas da vida é  puder partilhar uma manta e um chá, vendo um filme, enquanto chove lá fora. O pior é quando tens de ir lá fora. E chove torrencialmente, as estradas estão alagadas, e tens imensas coisas para fazer. Os dias também ficam mais pequenos. Escurece mais depressa... mas depois vêm as coisas boas, e voltam as más. E é isto.








terça-feira, 18 de setembro de 2012

Desabafos de uma viciada em Mad Men

Hoje, acabei de ver a 4ª temporada de Mad Men. E a questão que me assombra desde há uns episódios atrás é: Como é que alguém tão fantástico se torna tão horripilante? Já aqui falei sobre a minha adoração pela Betty. É linda, tem imenso estilo e achava-a uma mulher prendada. Achava-a uma boa mulher, mas todo o encanto se desvanece com o desenrolar da série. Não querendo fazer spoiler, acho que aqueles ditados sobre a beleza exterior não reflectir o interior e blá blá blá, se aplicam na perfeição. 
Mais logo parto, ansiosamente, para a 5ª, e última, temporada! 



sábado, 15 de setembro de 2012

15 de Setembro

Hoje sai à rua. Gritei, assobiei, cantei, bati palmas. Manifestei-me da melhor forma que posso. Não tenho conhecimentos político-económicos para puder apresentar as minhas soluções e alternativas. Mas tenho voz para refutar e manifestar a minha insatisfação perante o rumo que o país segue. 
Hoje saí à rua. Vi famílias, pais e filhos, avós e netos. Jovens, adultos e idosos. Pessoas de todos os quadrantes políticos, ali, a lutar pelos seus direitos. E afirmo: foi das coisas mais bonitas que já presenciei. Vi uma idosa a chorar na sua varanda, enquanto batia com os tachos e o povo gritava "Coelho para o tacho". Vi-a chorar. Vi-a distribuir beijos sobre os manifestantes. E contive as minhas lágrimas perante tal acto de humanidade, de desespero e de união. 
União. Foi isso que o povo fez neste 15 de Setembro. Uniu-se. Saiu para as ruas e gritou. Lutou. Para aqueles que ainda acham o povo 'manso', para aqueles que no conforto da sua sala criticam, tenho a dizer-vos: saíssem e sentissem ali, a força do povo. Acham que não podíamos ter pegado fogo à cidade? Podíamos. Acham que não podíamos ter partido vidros, arremessado pedras e outros objectos? Podíamos. Acham que não podíamos ter enfrentado os polícias que sofrem como nós, mas que cumprem o seu dever? Podíamos. Mas temos bom-senso. O povo português tem bom-senso, não é manso. 
Eu, que sou a favor de uma manif mais à séria, mais revolucionária digo, esta não era a ocasião para tal. Como referi, pelas ruas estavam crianças, grávidas, pessoas com mobilidade reduzida, idosos. Esta não era a manifestação ideal para causas estragos. Por essa aguardo, ansiosamente. 
Para aqueles que ficaram em casa, que foram às compras ou à praia, peço que liguem agora a televisão e vejam o que perderam. Para aqueles que acham que o governo faz o que tem de fazer, um jovem de 20 anos pegou fogo à sua própria pessoa. Sacrificou-se. Acham que não o devia ter feito? Só ele sabe o que lhe passou pela cabeça. Só ele sabe da sua situação. Mas, meus caros, é este, cada vez mais, o retrato da nossa sociedade. 



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

FNO, e outras actividades de mulher

O serão começou com o discurso de António José Seguro. Momento em que nos reunimos na sala para ouvir. Como me calhou a mim a tarefa de fazer o jantar, após o seu discurso, lá fui eu para a cozinha. Nada de especial: Massa com Atum e Natas. É provavelmente um dos pratos mais confeccionados pelos estudantes universitários, mas nem por isso deixa de ser tão agradável e delicioso. Enquanto o Dr. Passos Coelho discursava, jantámos, com tangos e índios. Por tangos entenda-se groselha com cerveja e, por índios, entenda-se sumo de laranja com groselha. Foi, definitivamente, o dia da groselha. Como não podia deixar de ser, de seguida, lá fomos nós para o Fashion's Night Out. Lisboa estava lindamente num caos. Pessoas, pessoas e mais pessoas. Nunca vi tanta gente pelas ruas. Estava uma noite agradável. As pessoas riam e conversavam alegremente. O evento foi fantástico! Não esperava uma coisa tão em grande. Para acabar a noite, descemos até ao Cais do Sodré, onde fomos beber um copo à Pensão Amor. E é assim que nós, miúdas, jovens mulheres, passamos um bom serão, nos divertimos e descontraímos. 



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Boom Bap t-shirts

Não as conhecia, mas estou louca pelas t-shirts da Boom Bap. São super giras, irreverentes, sensuais, bem, algumas são mesmo um pouco sexuais, mas são mesmo, mesmo, muito trendy. Têm um ar sofisticado, ao passo que gritam algo grunge, punk, num estilo que definem como sendo 'streetwear' e lhe assenta que nem uma luva. Algumas têm estampados de imagens bem conhecidas, outras nem tanto e, algumas, possuêm citações e frases divertidas. Estou apaixonada por esta: 


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O dia em que me senti discriminada

Foi ontem. Tudo o que eu queria era um par de calças na H&M. Apaixonei-me por um modelo especifico. Tinham uma cor característica. Não eram pretas, nem eram cinzentas, era algo pelo meio. Procurei, procurei, e nada. Não encontrei números pequenos. De seguida, fui procurar outros modelos. Nada. A H&M não tinha números de jeans pequenos. Será que procurei mal ou nesse dia todas as 'tiny girls' decidiram ir comprar jeans

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Confessions of a Shopaholic


D. - Honey, não tens noção. Fui à H&M hoje à tarde, depois de ter ido beber café. 
H. - E então?
D. - Vi os sapatos mais lindos do mundo. Queria-os tanto que tive de fugir. EU TIVE DE FUGIR! Eles eram lindos. 
H. - OUTROS? És sempre a mesma coisa. (risos)
D. - Eu sei! (risos)







segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tudo o que uma miúda precisa

Vogue & Jornal i. Tudo o que uma miúda precisa. Por outras palavras: uma revista de coisas interessantes, conteúdos culturais, de moda - muita moda -, e de artigos que nos fazem sonhar; e um jornal, com informações actuais, assuntos na ordem do dia e opiniões sobre a actualidade. 



domingo, 9 de setembro de 2012

A Mãe, de Máximo Gorki

Resolvi fazer um esforço, meter de lado a preguiça, e comecei a ler um novo livro. Desta feita, o escolhido foi "A Mãe" do russo Máximo Gorki. A história situa-se no início do século XX e retrata a realidade do proletariado, dos operários fabris da época, e a sua luta pela emancipação. Como, também, os resultados negativos da sua luta: rusgas, prisões, julgamentos. (Aqui têm mais informações.)
Segundo o que li, aqui pela Internet - eu gosto sempre de me informar antes de começar um livro -, este é o resultado das próprias vivências do autor, que era marxista e socialista e lutou pelos direitos dos operários.
O livro chama-se "A Mãe" pois esta possuí um papel primordial na obra. É através da sua personagem que muitas ideias fulcrais da obra são passadas. Como, por exemplo, a resistência das pessoas a novas ideologias, o medo, a ignorância, as crenças enraizadas e, posteriormente, a luta interior e pessoal pela compreensão de tudo isto e a procura da verdade. 
Até ao momento, acho o livro muito interessante. Podem ser retiradas várias conclusões, faz-nos pensar, e é uma história com muita realidade por detrás, o que é óptimo. 


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Para hoje, é isto #4

Ando numa onda tão dark no que às roupas diz respeito que no outro dia, com mais de 30 graus, suponho, sai de casa com uma t-shirt completamente preta e uns calções cinzentos escuros. Chama-se 'amor ao preto' e, por outro lado, resultados de possuir um guarda-roupa tricolor: branco, cinzento e preto. 
Outra coisa que adoro e que ando em pulgas para adquirir são uns creepers. Só há um pequeno problema, geralmente vendem-se online e eu não confio muito nessas coisas. Primeiro, tenho receio de me enganar no número do calçado, depois posso nunca chegar a receber nada e ser uma trabalheira. E, por fim, se eu não gostar de os ver calçados? Como é?  Teria de os vender online. Em suma: no que diz respeito a compras sou muito tradicional. Gosto de mexer, revirar e experimentar. 


Inspiração Batman #2

E porque as coisas normais podem ser demasiado... normais, que tal dar-lhes um toque vampiresco? 
Já demonstrei a minha adoração por uma boa Inspiração Batman num outro post. Contudo, estampagens de B.D. e super-heróis são muito casuais, molas com asas de vampiro nem tanto. Adorei! 





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ressaca literária

Nunca tinha pensado em tal expressão. Contudo, há uns dias encontrei a seguinte imagem pelas redes sociais e a verdade é que me tem perseguido. Sim, porque neste verão li cinco livros. Uns atrás dos outros, com enorme prazer e satisfação. Julgava que agora que tinha sido apanhada pelo bichinho da leitura nunca mais iria parar. Mas planos não passam de planos. E após ter sido confrontada com esta expressão, pensei, pensei e pensei, e compreendi que ainda não tinha pegado noutro livro pois estou a sofrer de uma ressaca literária. Não me sinto mal, não tenho dores de cabeça, nem enjoos típicos de uma ressaca de álcool (ou de gomas), mas sinto uma certa resistência cada vez que pego num livro. Olho para ele, ali, na minha mesa de cabeceira, com uma capa toda bonitinha em pele. Sei que é um clássico da literatura, mas... Ainda não abri as páginas, nem o cheirei, nem me deixei levar. Talvez precise de uma coisa diferente. Menos pesada.Tinha pensado comprar "As Cinquentas Sombras de Grey", toda a gente fala sobre o livro. Uns mal, outros bem. E a minha curiosidade está aguçada. Mas ir gastar quase 20 euritos num livro cuja credibilidade é 50/50? Não me parece. "A Guerra dos Tronos" também me anda aqui a seduzir. Adorei a série. Mas a verdade é que tenho receio de perder-me pelas encruzilhadas e pelas páginas do livro. E, também já vi a série, que é brutal e, se a série é brutal nem quero imaginar os livros. É isso, não vou lê-los por serem bons demais. E pronto, é isto. Mal-dita ressaca literária que me aborrece e me desanima literáriamente. 


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Olá, Setembro

Ora bem, voltar a Lisboa estava difícil. Fiquei pela terrinha, a praia e outras saídas durante quase dois meses. O meu quarto, a "minha" casa, parte da minha vida ficou aqui, à minha espera. Outra parte está lá, a quilómetros de distância e com o mar pelo meio. É estranho voltar a um lugar onde sou eu, completamente, e as coisas estarem diferentes. Afinal já não existe um velho colchão a fazer de sofá na sala. Aliás, agora sim posso afirmar ter uma sala. Tem sofá, uma televisão grande, mesa de jantar. Se a sala anterior era acolhedora, esta é-o muito mais! Mas, é estranho regressar e as coisas estarem diferentes. Aposto que nem as pessoas estão na mesma. Eu, pelo menos, não estou. 
A verdade é que as mudanças sempre me assustaram. Gosto das coisas à minha maneira, organizadas por mim, certinhas e direitinhas. Sou uma confusão, por isso, gosto que as coisas em meu redor estejam organizadas segundo os meus hábitos. Hábitos que facilmente se tornam reconfortantes, facilmente se tornam rotineiros, e chatos.  
O que também é verdade é que as mudanças são boas. Não todas mas, cair na rotina pode ser um grande problema, por isso, as mudanças são boas. Tenho grandes planos para este novo ano lectivo. Pretendo ser menos conformada. Não quero perder tempo com futilidades. Quero mexer-me, ser activa e puxar por mim todos os dias.
Estes serão os meus últimos dias de pausa, de procrastinação e de não-fazer-nenhum: Olá Setembro! 

domingo, 2 de setembro de 2012

Tachas, nos soutiens?!

Que as tachas, ou 'picos', como lhes costumo chamar, andavam por todo o lado, eu já sabia. Só não sabia que tinham chegado à roupa interior. Pois é. Andava eu a passear pelo tumblr quando me deparo com esta novidade. A questão que coloco é: será seguro?  Bem, pode ser uma óptima forma de afastar 'predadores'. Com uns picos destes ninguém se aproxima assim, não é. Mas, e se for mesmo para aproximar? Hum... Tachas, nos soutiens?! Não me parece. 



sábado, 1 de setembro de 2012

Os Jogos da Fome: livro vs filme

Depois de ter devorado a trilogia d'Os Jogos da Fome, decidi que iria ver o filme. A caracterização espacial e física das personagens combina um certo estilo medieval com um 'super-pós-modernismo'. Isto, segundo a minha interpretação do livro, segundo aquilo que eu imaginava na minha cabeça ao ler as descrições. Por isso, a minha curiosidade para ver a interpretação daquelas palavras por outrem era enorme. E, foi... uma desilusão. A mensagem do livro está lá, no filme. A tal relação entre as visões distintas, dos distritos pobres com o Capitólio rico, está bem feita, é clara, e é interessante. Mas, vamos por partes. 

A essência do livro, como já referi, aquele ideia de sermos peões nos jogos do capitalismo, de vivermos num reality show, está lá. Não poderia faltar. A distinção entre os pobres e ricos, entre o tradicional e o pouco convencional, as diferenças entre os distritos e o Capitólio também estão lá. Contudo, "cheirou-me" a pouco. Ou seja, no meu ver, o realizador poderia ter aprofundado e analisado mais. Todo o filme parece ter sido feito à velocidade da luz, com cortes enormes e a introdução da visão do Presidente Snow - a outra parte, tendo em conta que os livros apenas se baseiam na visão da Katniss. 
Eu percebo que seja difícil para um realizador condensar toda a informação de um livro numa película de duas horas, mas para isso penso que se poderiam fazer dois filmes, ou uma série, tal como aconteceu com "A Guerra dos Tronos". 

Os Jogos da Fome possuem informação suficiente para uma série de episódios.
Isto porque, apesar de se ter perdido muito na trama, perdeu-se essencialmente nas personagens. Ninguém chega a entender muito bem a Katniss. Ok, é uma miúda que toma o lugar da irmãzinha nos jogos e que faz de tudo para ganha-los. Mas... é só isso? E as suas reflexões e pensamentos? Os seu dilemas?
Depois temos o Peeta. Nos livros sabemos que ele é altamente altruísta e que fará de tudo para defender a Katniss, mas nunca nos pareceu um atrasado. No filme parece um miudinho que não se consegue defender, que precisa de ficar debaixo das saias da Katniss. É errado. E o Gale? Ninguém sabe o que a Katniss pensa sobre ele. E o pior de tudo, o Haymitch. Ele mal existe no filme quando na verdade é uma das personagens mais importantes. O seu papel é crucial. O mesmo se passa com o Cinna.

Como a história foi adaptada à velocidade da luz, pelo meio foram introduzidas analepses. Cenas rápidas onde voltamos ao passado, como forma de nos serem explicados certos pormenores. E temos também a personagem de Caesar Flickerman que nos faz uns pequenos apartes. Mas fora isso, os jogos caem um pouco ali de para-quedas. E, porque é que a Katniss inicia uma revolução? Ninguém entende muito bem.
Em suma, muito se perdeu. A história foi tão exprimida que resultou num filme pela rama. Por isso, para aqueles que apenas viram o filme, recomendo a leitura dos livros. São mil vezes mais intensos, profundos e inquietantes que o filme.