sábado, 11 de agosto de 2012

Uma pessoa, duas casas

E o resultado não é lá muito bom. Quer dizer, não há nada melhor do que chegar a casinha da mamã e do papá ao fim de semana, não cozinhar, não lavar a loiça, nem ter quaisquer tarefas domésticas para fazer. Também é bom descansar da canseira que pode ser Lisboa durante a semana, na terrinha, calma, sem carros, nem poluição e com comidinha caseira. Mas depois existem as coisas más, como andar sempre com tudo para frente e para trás. 
O resultado? O resultado é esquecer-me de imensas coisas. Estar num lado e pensar "Bolas, esqueci-me daquela camisola". Estar no outro e lembrar "Caramba, não trouxe aquela revista". Agora. com as férias de verão, tive de pensar antecipadamente e trazer tudo o que acharia indispensável. E trouxe, mas trouxe quase tudo, apenas. 
Se calhar é por ser mulher, não sei. Ou talvez seja por gostar mesmo das minhas coisas, todas. Gosto de todos os meus pares de sapatos, de todas as minhas camisolas, saias, jeans e casacos. Gosto das minhas colecções de revistas e jornais. Gosto da minha outra almofada, dos lençóis e dos cobertores. Gosto do incenso que deixei no parapeito da janela para arder noutra altura. Gosto da minha televisão, onde posso colocar a pen para ver séries e filmes. 
E depois, gosto mesmo, mesmo, mesmo muito da minha máquina da café. Daquelas de filtro, como se vê nos filmes americanos. É só carregar no botão e toda a casa fica a cheirar a café acabadinho de fazer - que delicia! Com este calor, era só colocar-lhe gelo e umas gotas de limão. 
Tudo isto é quase uma ode à minha vida dupla. E deve mesmo sê-lo. Dividir o tempo entre duas casas tem, efectivamente, os seus problemas, as suas desvantagens e chatices, mas também tem coisas boas, muito boas. 

*Suspiro* O meu café. 

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